Suzuki GSX1300R Hayabusa
#1

Por motivos mais ou menos óbvios, tenho estudado um pouco a história de uma das burras que dormem no meu estábulo, e seguido com mais atenção as notícias sobre o dito modelo. Se por um lado foi anunciado o fim da produção da Hayabusa, por outro já surgiram pistas que indiciam a retoma da produção da mesma, talvez no final de 2020 ou então 2021... Quer este modelo regresse ou não às linhas de produção da Suzuki, existe uma história interessante por trás. Se já falei um pouco sobre esta história no tópico de apresentação da minha "mijona", aproveito para partilhar aqui uma crónica de Guilherme Costa, já com cerca de 1 ano, que conta de forma interessante alguns pormenores sobre esta mota que inegavelmente é especial. Fica aqui a partilha: V

Suzuki Hayabusa. A história completa da rainha da velocidade

A Suzuki Hayabusa é uma das motas mais importantes dos últimos 20 anos. Hoje podes comprar uma por menos de 5000 euros. E os motivos são muitos...

[Imagem: suzuki-gsx1300r-hayabusa-2000.jpg]

Não estranhem o destaque à Suzuki GSX 1300 R Hayabusa aqui na Razão Automóvel, um site de automóveis.

Somos ecléticos. Apreciamos todas as expressões de audácia e engenho humano, independentemente do número de rodas.

E porquê este destaque agora? Porque no passado dia 31 de dezembro a Suzuki Hayabusa deixou de ser comercializada na Europa.

A entrada em vigor das normas anti-poluição Euro 4 em 2016 (havia uma moratória de dois anos para os modelos já em comercialização), obrigou a Suzuki a colocar um ponto final no reinado da Hayabusa no final de 2018.

É verdade. As normas anti-poluição não poupam nada nem ninguém, das duas às quatro rodas...

Um fim que foi a desculpa perfeita para deixar os carros na garagem por um dia, e escrever sobre a minha segunda paixão: as duas rodas.

Mais concretamente sobre a Suzuki Hayabusa, a «rainha da velocidade». Uma mota que apesar de ser rápida, era feia como um besugo com três dias de praça (sintam-se à vontade para discordar...).

[Imagem: suzuki_hayabusa.jpg]

Feita a introdução, apertem o casaco, ponham o capacete, baixem a viseira e enrolem o punho porque vamos fazer uma viagem no tempo.

Mas antes disso, vejam qual é o aspeto de um besugo com três dias de praça:

[Imagem: besugo.jpg]

Suzuki Hayabusa. Era uma vez há 20 anos

Estávamos em 1999. Ano em que o mundo parou para contemplar o lançamento do novíssimo míssil homem-guiado japonês: a Suzuki GSX 1300 R Hayabusa.

Numa altura em que as redes sociais eram inexistentes, os telemóveis ainda tinham botões e a internet um privilégio de poucos, a Hayabusa conseguiu a proeza de tornar-se viral. Uma espécie de Gangnam Style das duas rodas. Isto numa época em que o conceito de viral ainda nem existia...

Após a sua apresentação não se falava de outra coisa. E o motivo era apenas um:

Citar:"A Suzuki GSX 1300 R Hayabusa era a primeira mota de produção da história a atingir a mítica barreira dos 300 km/h."

O mundo estava em choque com os números da Hayabusa. Tão em choque que houve em Bruxelas quem defendesse a limitação da velocidade máxima das motas comercializadas na UE.

[Imagem: hayabusa-1999.jpg]

De resto, o receio dos decisores políticos e comentadores de pacotilha contrastava com o entusiasmo do público em geral. O interesse na Hayabusa era tão grande que o seu lançamento chegou a ser notícia de telejornal.

Citar:"Pela primeira vez na história, era possível alcançar os 300 km/h por menos de 4 mil contos (cerca de 20 mil euros)."

Não me recordo de mais nenhuma mota que tenha merecido as mesmas horas (e honras) de noticiário que a Hayabusa mereceu.

Os míticos 300 km/h

A década de 90 ficou marcada por uma busca desenfreada por velocidade, fosse nas duas ou nas quatro rodas. Corrijam-me se estou errado, mas acho que foi a década onde a velocidade vendeu mais. Basta recordar o McLaren F1, entre outros...

Mas regressando às duas rodas, alcançar os 300 km/h era um feito que há muito era perseguido pelas principais marcas japonesas. Nenhum tinha conseguido... ainda.

A primeira tentativa de superação dos 300 km/h (ainda que tímida) veio da Kawasaki, com a ZZR 1100 e, pouco depois, de forma mais comprometida, foi a vez da Honda, com a CBR 1100 XX Super Blackbird.

[Imagem: cbr1100-black-bird.jpg]

No meio de tantas e tão boas motas, foi a velocidade máxima da Hayabusa que a fez destacar-se das demais. Toda a gente falava da nova mota da Suzuki, que superava os 300 km/h.

A Suzuki GSX1300R Hayabusa chegou, viu e venceu:



Como quebrar os 300 km/h

O mundo estava em choque com a potência e a performance da Hayabusa. Mas ninguém ficou muito impressionado com o aspeto da mesma.

Citar:"Superar os 300 km/h exigia não só um motor potente, mas também uma aerodinâmica competente."

Foi por isso que a Suzuki deu às carenagens do seu míssil homem-guiado um aspeto menos harmonioso que o das suas concorrentes. "Uma mota esculpida pelo vento", era das frases mais repetidas pelos PR’s da Suzuki quando confrontados com a necessidade de explicar as formas da Hayabusa.

[Imagem: suzuki-gsx1300r-hayabusa-1999-2.jpg]

Querem exemplos de elementos que serviam propósitos aerodinâmicos? Vamos a isso. Estou a escrever de memória portanto é possível que falhem alguns...

O guarda-lamas dianteiro XXL não servia apenas para afastar os detritos, servia também para diminuir a turbulência e reorganizar o ar em torno das carenagens. Os piscas estavam embutidos na carenagem pelos mesmos motivos.

Mais exemplos? A bossa que cobria o banco do passageiro ou o farol dianteiro que também tinha propósitos aerodinâmicos. And so on...

Citar:"Para fechar o tema do aspeto da Suzuki Hayabusa, tenho de dizer o seguinte: acho que o tempo fez-lhe bem. A verdade é essa..."

Na época, lembro-me de não gostar minimamente das suas formas. Hoje, confesso que até nutro alguma simpatia pelas formas subjugadas à função da Suzuki Hayabusa.

Sem motor não há milagres

Sabias que a partir dos 60 km/h o atrito do ar é superior ao atrito de rolamento? E que a resistência ao ar aumenta de forma exponencial à medida que a velocidade também aumenta.

Para atingir os 100 km/h não precisas de mais do que 8 cv de potência do motor, por exemplo, de uma Yamaha DT 50 LC. Mas para chegar aos 200 km/h não te basta duplicar a potência. Tens de quadruplicá-la e mesmo assim ficarás aquém dessa cifra.

[Imagem: Suzuki-hayabusa-GSX1300R-10.jpg]

Por isso, como deves calcular, para chegar aos 300 km/h é preciso muita potência, mesmo muita potência! Sem um motor muito potente não há aerodinâmica que nos valha. Não há milagres.

Citar:"Foi por isso que a Suzuki equipou a Hayabusa com um motor capaz de fazer girar o centro da terra."

Estamos a falar de um motor quatro cilindros em linha com 1300 cm3, capaz de desenvolver mais de 175 cv de potência e 140 Nm de binário máximo às 10 200 rpm. Muita potência para empurrar apenas 215 kg de peso (a seco).

A Suzuki Hayabusa devia vir equipada com cintos de segurança, tal não era a pujança do motor. Para enrolar o punho exigia-se coragem, força de braços e um bom par de... pneus.

O binário era tanto nem era preciso explorar o regime de corte, mas quem o fizesse era brindado com os seguintes valores:

- 1ª velocidade: 135 km/h;
- 2ª velocidade: 185 km/h;
- 3ª velocidade: 230 kmh/h;
- 4ª velocidade: 275 km/h;
- 5ª velocidade: 305 km/h;
- 6ª velocidade: 317 km/h (recorde aferido pelo Guinness Book).

Ainda hoje, volvidos 20 anos, apenas duas motas foram capazes de superar, de forma oficial, a velocidade máxima da Suzuki Hayabusa: a nova Ducati Panigale V4R e a Kawasaki H2.

[Imagem: Ducati-Panigale-V4R.jpg]

Para terem ideia do quão assustadores eram estes valores em 1999, de todas as marcas de pneus envolvidas no projecto Hayabusa só uma é que não desistiu: a Bridgestone.

As restantes voltaram costas e chamaram loucos aos engenheiros da Suzuki. Tinham alguma razão, verdade seja dita.

Do lado da Bridgestone, terem conseguido desenvolver um composto e uma carcaça que aguentasse as solicitações de uma «besta» com quase 300 kg, mais de 175 cv de potência e 300 km/h sem colocar em causa a segurança foi um feito de engenharia notável.

Um míssil com boas maneiras

Apesar da potência desenvolvida pelo quatro cilindros em linha e 1300 cm3, a Hayabusa não era uma besta indomável. Nas acelerações mais poderosas, a sua generosa distância entre eixos ajudava a manter as coisas mais ou menos compostas, evitando vistosos cavalinhos e impulsionando todo o conjunto em frente.

Em curva, apesar das dimensões XXL, o conjunto primava pela estabilidade e confiança que transmitia. Sem pretensões de ser uma superbike, a Hayabusa estava mais próxima do conceito sports tourer. Uma categoria na qual o conforto também é importante.

Há quem diga que a Suzuki chegou a desenvolver protótipos da Hayabusa mais potentes apenas para testar os limites da mecânica e da ciclística. Nesta configuração, a Suzuki Hayabusa seria capaz de atingir os 350 km/h.

Um valor valor que não impressionará os verdadeiros apreciadores desta mota japonesa, tendo em consideração as transformações que povoam a internet.

Citar:O motor de quatro cilindros em linha e 1300 cm3 aguenta tudo... ou quase tudo.

Há sempre quem não se contente com o que tem. Por isso, várias empresas têm-se dedicado ao longo dos anos, a desenvolver kit’s de potência para a Suzuki Hayabusa. Alguns deles com direito a sobrealimentação e tudo!

[Imagem: hayabusa-turbo-1.jpg]

O bloco Suzuki aguenta quase tudo sem grandes queixumes. Nas versões mais radicais, estamos a falar de valores de potência que superam os 500 cv! Isso mesmo... 500 cv.

Dá vontade de ter uma em casa, não dá?

2008. Limar arestas.

Quase 10 anos após o seu lançamento, a Suzuki GSX 1300 R Hayabusa recebeu as suas primeiras atualizações dignas de nota. As suas linhas ganharam outra intensidade, o motor ganhou mais 40 cm3 e por apenas 3 cv não atingiu a barreira dos 200 cv. Ficou lá perto... 197 cv.

[Imagem: hayabusa-2008-e1548271647674.jpeg]

Uma atualização muito importante, principalmente devido aos ataques da Kawasaki. Primeiro com a ZX 12 R e depois, com a ZZR 1400.

A ZX 12 R era linda, radical, e potente... muito potente. Até vou colocar aqui uma imagem.

[Imagem: kawasaki-zx-12-r-ninja-e1548271665821.jpg]

Face à Suzuki Hayabusa, a Kawasaki Ninja era mais potente, mais leve, mais rápida e mais radical. Era tudo isto e também menos dócil... se é que se pode falar de docilidade em motas deste calibre.

Então porque é que a Ninja não teve o mesmo impacto que a Hayabusa? Por vários motivos, mas principalmente porque era uma melhoria face à Hayabusa, mas não oferecia nada de novo.

Face à Ninja, a ZZR 1400 era um «animal» muito mais próximo da Hayabusa. Mas se a Hayabusa parecia um besugo, a ZZR 1400 parecia uma aranha...

[Imagem: zzr-1400-monsters-inc.jpg]

As semelhanças entre a Kawasaki ZZR 1400 e o vilão do filme Monstros e Companhia é inegável.

Mais tarde, a BMW também quis juntar-se à festa, com a K1200, mas a loucura da velocidade já tinha passado. O mundo já não vibrava da mesma maneira com a velocidade.

Um desinteresse que em parte, também afetou os construtores. Com o lançamento da Suzuki Hayabusa, os construtores japoneses fizeram um acordo de cavalheiros. Decidiram limitar eletronicamente os seus modelos a 300 km/h, de forma serenar os ânimos dos políticos que defendiam restrições mais severas.

Limitar nem que fosse de velocímetro, porque em alguns casos o motor continuava a subir de rotação. Mas isso dava outra história...

Essa decisão "matou" a guerra pela velocidade até aos dias de hoje.

Chegar aos 300 km/h por menos de 5000 euros

Comprar uma mota usada em Portugal é complicado. O valor de mercado de algumas motas é demasiado elevado sem motivo aparente.

A Suzuki Hayabusa é uma excepção. Neste momento, é possível comprar uma em bom estado por bem menos de 5000 euros.

É sempre um bom negócio, por vários motivos. Primeiro porque não deverá desvalorizar mais. Tal como as Honda Africa Twin ou Super Tenéré (apenas para dar dois exemplos), também a Hayabusa tem um determinado valor intrínseco. Pela história, pelo seu significado, etc.

Citar:"Talvez os valores até subam ligeiramente nos próximos anos."

Em segundo lugar porque apesar da idade, continua a ser uma mota atual em termos de performance, comportamento e conforto.

[Imagem: suzuki-gsx1300r-hayabusa-1999-5.jpg]

Em terceiro lugar, porque é muito fiável. Bem mantida, será garantidamente companheira de muitos quilometros de prazer. Estou a pensar comprar uma mota usada, e se não fosse necessitar de deslocar-me tanto em cidade, talvez a eleita fosse a Hayabusa. A forma mais barata de ir dos 0 aos 300 km/h.

E se fosse dono de uma? Bem, se fosse dono de uma talvez não a vendesse.

Foi mesmo o fim da Suzuki Hayabusa?

Este ano assinalam-se os 20 anos do surgimento da Hayabusa. Há rumores que indicam que a Suzuki está a trabalhar numa sucessora.

[Imagem: suzuki-concept-gsx.jpg]

Esperamos que não sejam apenas rumores. Com a tecnologia atual, até onde poderá a performance da Hayabusa chegar?

É daquelas perguntas às quais o mundo merece uma resposta. Uma rápida resposta! Veremos...

Fonte: Razão Automóvel

[Imagem: f800r_long.jpg?raw=1]
Suzuki GSX1300R * BMW F800R * ex-Kawasaki ZZR 1100 * ex-Honda Hornet 600 * ex-Honda CBF 125 * ex-Yamaha DT 50 LC (x2)
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#2

clap

Feia como a noite... mas um exercício incrível de engenharia.

[Imagem: images?q=tbn:ANd9GcSBKDKs6yFSsA6jXIrK7LO...Fbu3pya-zl]
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#3

Bom post Marco, gostei de ler. Quase me senti tentado depois de ler o texto a querer uma! lol isto é se fosse um aficionado por velocidade. Ainda assim a querer um missil destes de 2 rodas, continuo a simpatizar mais com a cbr XX. Mas quando um gajo mete a razao a funcionar nao vejo motivo para algum dia querer adquirir uma mota assim tao potente.
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#4

Belíssima
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#5

Belíssimo texto!
Belíssima mota! ?
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#6

Linda como tudo, especialmente a primeira versão!

Uma mota que conseguiu oferecer a muito boa gente experiências que dificilmente outros vão poder experimentar!
Principalmente porque agora o sector das ST e os construtores estão numa de só investir em motas que não são carne nem peixe, pertencendo ao sector do faz de conta!
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#7

(09-02-2020 às 08:56)LoneRider Escreveu:  Linda como tudo, especialmente a primeira versão!

Nem mais!

Live After Death...

Os Ferros...

In life, nothing happens by chance...
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#8

O primeiro motor Suzuki que não fazia barulhos estranhos...

Uma máquina de uma qualidade de construção de topo... muitos furos acima das concorrentes...

Ainda hoje não consigo gostar do design, mas reconheço que é uma máquina muitíssimo competente, e muito imponente.
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#9

Excelente tópico...
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#10

Excelente Moto!... cool
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