Ainda não bati a 250km/h mas a 140 dá direito a um voo grátis bué emocionante!
A sensação de aterrar, ver o mundo andar à roda de forma pouco arbitrária, os impactos do teu corpo no asfalto e um deslizar final é uma sensação esfoliante!
Quando finalmente paras o tempo para contigo, fazes reset e pouco a pouco vais activando o teu corpo tentando perceber quais as partes do teu corpo estão bem ou mal.
Entre um misto de dor e ardor percebes que os sítios do costume sofreram as normais queimaduras por abrasão.
Não existem dores agudas ao respirar ou ao mover lentamente os membros, sinal que, por enquanto, o esqueleto scontinua intacto.
Momentáneamente a tua mente abre-se ao exterior:
"Tive um acidente.
Onde estou!?
Deitado no asfalto...
Katano!!!
Ainda me passam por cima!! “
E levantas a cabeça ao mundo, tentando perceber onde te encontras e o único que vez é um mar de pés e à medida de ergues o olhar encontras no céu uma clareira rodeada de olhos!
A minha mota!?
A minha mota é faço uma tentativa para me levantar....
A minha mota!!!
E, numa derradeira tentativa, levanto-me e estreio o meu novo andar de zombie, desordenado, balanceado, inconstante.
Pelo caminho vou melhorando o equilíbrio e controlando a dor das queimaduras nas ancas, joelhos, cotovelos, mãos, ombros e costas....
Ao dar a volta à Opel Rakord encontro a Voyager, inerte, deitada no chão, sangrando por uma bainha, com a sus mini-saia rasgada, as orelhas derrubadas, a minha motinha toda desfeita.
Segundo os médicos, eu não me lembro nada disso, as minhas feridas não eram preocupantes, o pior foi o estado de ansiedade em que me encontrava.
Quis bater no dono da Opel, na polícia, nos bombeiros, ninguém tocava na minha mota!
Naquele instante apareceu o Telmo, amigo e Motard, que com muita paciência me conseguiu pôr dentro da ambulância e terminar com aquele calvário.
Aprendi tanto naquele miserável dia....