Depois de milhares de quilómetros feitos entre asfalto e terra batida, primeiro com uma chopper Honda Rebel 250cc nos Estados Unidos e depois com uma trail Honda Falcon NX4 em Portugal, em 2018 troquei o cheiro a gasolina pela mobilidade elétrica urbana. Agora, depois de sete anos a usar a Super Soco TC para deslocações diárias, deixo aqui uma review honesta para quem estiver a pensar em apostar numa elétrica.
AS COISAS BOAS
O QUE PODIA SER MELHOR:
Conclusão:
Não é, de longe, a mota mais potente que já tive, mas é provavelmente uma das mais agradáveis de conduzir em ambiente urbano. Silenciosa, económica e amiga do ambiente, valeu bem o investimento.
AS COISAS BOAS
- Zero emissões, consciência tranquila. Como uso um fornecedor de energia 100% renovável em casa, cada carga, e cada viagem, é verdadeiramente limpa. Foi o principal motivo que me fez mudar de mota, e saber que não deixo rasto de gases no percurso é algo que me agrada bastante.
- Silêncio absoluto. Conduzir sem barulho de motor muda completamente a experiência, sobretudo quando levas alguém contigo. Dá para conversar, ouvir a cidade e sentir-te mais ligado ao ambiente. Ao início é estranho, mas depois torna-se uma característica que valorizo muito. (Nota - penso que os modelos mais modernos trazem um som artificial para avisar os passageiros, mas quando comprei esta mota isso não era obrigatório - sorte a minha
).
- Custo de utilização baixíssimo. Carregar em casa custa-me cerca de 1 euro por cada 100 quilómetros. Imbatível, mesmo depois destes anos todos.
- Fiabilidade. Tirando um pequeno problema com o controlador nos primeiros meses (resolvido em garantia), nunca precisei de oficina. Sem óleo, sem dores de cabeça.
- Estilo. A mota vira cabeças. O visual retro encaixa lindamente em cidades históricas como Braga, e fica bem tanto junto a uma esplanada como numa rua de pedra.
- Possibilidade de aumentar velocidade. De origem, está limitada a 45 km/h (equivalente a ciclomotor 50cc), mas com alguns ajustes simples é possível desbloquear mais. A minha TC atualmente atinge 70 km/h no modo 3 ("modo desportivo"), sem perder aceleração em nenhum dos modos.
- Boa aceleração. Ok o motor é de apenas 3Kw, diz-se equivalente a 50cc, mas a aceleração (por ser elétrica) é muito decente (tal como acontece com os carros elétricos). É divertida de conduzir, sem dúvida.
- Durabilidade da bateria. Com cerca de 4.000 km e sete anos de utilização, a bateria ainda tem uma autonomia/eficiência à volta dos 90%. Para uma elétrica urbana, é impressionante.
- Opção de segunda bateria. Dá para comprar uma segunda bateria e duplicar a autonomia. Para quem faz percursos maiores, pode ser uma mais-valia (mas nunca pensei em fazer esse investimento - não me traz grande vantagem a autonomia extra).
O QUE PODIA SER MELHOR:
- Suspensão? Qual suspensão?. É das piores coisas da mota; em calçada ou pisos irregulares, a viagem pode tornar-se desconfortável para o condutor e para o passageiro.
- Potência limitada. Sozinho é suficiente, mas com duas pessoas, em subidas, sofre bastante. Nalgumas subidas das colinas de Braga, com 2 pessoas, cheguei a subir a 8 km/h (quase a ser ultrapassado por quem ia a pé.)
- Autonomia demasiado otimista. Quando comprei, anunciavam 80 km de alcance, agora já dizem 55 km... e mesmo assim é puxado. Com muito cuidado, já consegui fazer 61 km gastando 95% da bateria (andar com calma), mas no dia-a-dia faço cerca de 45 km com 90% de carga.
- Regeneração de bateria é praticamente irrelevante. Em teoria existe, mas na prática nunca recuperei mais de 1% a descer (e não muda nada no uso real).
- Performance decresce com pouca bateria. Abaixo dos 50% de carga, aceleração e velocidade máxima começam a cair. A 10% fica limitado a cerca de 10 km/h e a 5%... é literalmente a passo.
- Troca manual de bateria. Apesar de caberem duas baterias na estrutura, não há troca automática. É preciso desligar e ligar manualmente, o que é chato, sobretudo para carregar.
- O preço ainda não acompanha a tecnologia. É estranho ver que ao contrário dos carros, cujos preços têm vindo a ser cada vez mais competitivos, isto não está a acontecer na Super Soco. Desconfio que é mais ganância dos importadores do que custos reais.
Conclusão:
Não é, de longe, a mota mais potente que já tive, mas é provavelmente uma das mais agradáveis de conduzir em ambiente urbano. Silenciosa, económica e amiga do ambiente, valeu bem o investimento.


![[Imagem: censorship2.jpg]](http://2.bp.blogspot.com/_vmpSO2BbYCE/SuCmB9NUZ5I/AAAAAAAAJY4/QD-5J7GaPVM/s400/censorship2.jpg)