Como se disse.... isto é tudo questão de modas.
Nos nos 90, quando comecei a andar de mota, no capítulo da personalização, era moda customizar um ferro.... quanto mais cromados, fitas nos punhos, caveiras e pinturas a aérografo tivessem, melhor. Depois haviam ainda as várias variantes dentro deste universo... choppers, hard-tails, rats, low riders, etc... Tanto que os construtores viram que o fenómeno tinha interesse, e redesenharam muitas das suas cruisers, com variantes stock destes sub-estilos.
Entretanto, algum tempo depois apareceu outra moda. Como o pessoal das desportivas, muitas vezes caiam e não tinham dinheiro para reparar carenagens, surgiram as street-fighters.... motos despidas, com looks mais agressivos, directamente derivadas de desportivas. Novamente as marcas viram que a coisa tinha pernas para andar e começaram a criar os seus próprios modelos stock, com motorizações e ciclísticas retiradas das suas desportivas de catálogo.
Entretanto, paralelamente, tivémos a moda das revivalistas. Motos dos anos 60 e 70, que se achavam obsoletas e demodé (as chamadas motos de velho), de repente começaram a ser ressuscitadas e recuperadas, voltando à estradas. A coisa tinha público e entusiastas, que novamente as marcas, começaram a relançar modelos novos, baseados nas suas clássicas com duas ou três décadas. Muitas delas com motores bem mais portentosos, criando as "muscle bikes".
Depois ainda veio a moda das maxi trails (que neste momento já está em período de "banho-maria")..... e ainda das supermotards (quando possivelmente uns gajos resolveram meter uns pneus de estrada em motos de enduro e acharam a coisa divertida).
As adormecidas café-racers, agora ressuscitaram e é o que está na ordem do dia, em termos de tendências motociclísticas. E assistimos ao mesmo que aconteceu com tantos outros estilos.... para além da industria "amputadora" e artesanal, que busca na sucata que há por aí, espécimes mais ou menos adequados para as rejuvenescer com este conceito.... também podemos ter uma novíssima café-racer a estrear, pois o nicho de mercado criado, deu oportunidade a quem não queira perder tempo (ou não tenha conhecimento) para fazer "corte e costura", de ter a sua café-racer escolhida directamente num catálogo de uma marca.
Como em tudo o resto, as modas são efémeras.... e grande parte das vezes, cíclicas... vão e voltam. Rapidamente aparecem, alastram.... mas também depressa são substituídas. E o mercado adapta-se a todo o momento à lei da procura e da oferta.
Não me admira que daqui por meia dezena de anos, o que estiver na ordem do dia seja algo completamente diferente do que temos agora, e estejamos aqui a discutir motos e conceitos totalmente distintos.
Desde que tenham duas rodas e motor.... é o que interessa. Siga!!!