Momentos Insólitos

(01-04-2019 às 14:18)carlos-kb Escreveu:  ... não convém exagerares em certas substâncias ou mesmo no álcool!!! smiletroll troll

Por acaso pensei o mesmo quando li este episodio... lol

Ricardo - Honda CB500X
[Imagem: latest?cb=20150510093035]
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(01-04-2019 às 13:57)Johnny_1056 Escreveu:  Boas;
Como foi possível deixares a moto abandonada tanto tempo??!! Valeu que ainda tens alguém que zele pelo que é teu!! smile

Muito simples:
- Ter seguro contra roubos (mas confesso que estava com medo de ter azar e considerarem negligencia ou algo)

E exactamente, ainda bem que tenho alguém que tome conta das minhas coisas por mim! tong
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Granda bubadeira.... Dasse...

[Imagem: SM4eYt9.png]
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Ontem, ao regresso de um fim de semana ao Algarve, ocorreu-me um dos (senão o mais) episódios mais insólitos, estranhos, caricatos e desafiantes desde que ando de moto. Numa puta de uma viagem que estava a correr espectacularmente bem... E de repente, acabei a ser obrigado passar as "passas do Algarve", (e já bem longe de do Algarve).

Aqui fica... é testamento (dos grandes)... só lê quem quiser (ou então que espere pelo filme) tong .
Mas tem o seu quê de peculiar.

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A epopeia da gorda branca a fazer off-road "à seria" - Parte I
(e oxalá que seja a única e última)

Havia saído do Algarve, de Lagos, aonde atestei, eram umas 17.30h. A viagem a correr optimamente bem, gozei à grande as curvas rápidas da N120 entre Bensafrim e Odeceixe.
Ainda me juntei espontaneamente a um grupo de 3 motos (uma GSXR, uma Thunder Ace e uma Bandit), com que fizemos parte desse troço e sem os conhecer rolámos juntos até à zona da Zambujeira.

A viagem decorria em bom ritmo, seguindo por V.N. Milfontes, Sines, Grândola, Alcácer e Marateca, aonde espontaneamente também me juntei durante umas dezenas de km, com um gajo que ia numa GS, com uma pendura.

Em bom ritmo, tinha quase 250km de nacional, com pouco mais de 2 horas desde que havia saído de Lagos.
Entre a Alcácer e a Marateca, entrou-me na reserva, ao que num rápido cálculo mental aos kms e bombas que sabia existirem, pensei abastecer em Pegões (apesar de já estar na reserva, dava à vontade e ainda sobrava).

Ia já no troço entre a Marateca e a rotunda de Pegões, quando me deparo com um aparato de pirilampos, carros parados e barreiras a toda a largura da estrada… acidente com corte total da estrada!

Lá fui aproximando-me e imediatamente antes da zona aonde estava a estrada cortada, havia uma viragem à direita, por onde alguns carros estavam a optar seguir. Pensei que seria um pequeno desvio e que daria para retomar a estrada umas centenas de metros mais à frente, e sigo também por aí.
Estava lá também um gajo de mota que me viu e me fez um gesto acenando com a palma da mão virada para baixo , que não entendi, se seria para seguir devagar ou (e mais tarde entendi)… parar e não ir por ali!

Nos primeiros metros fui ultrapassando os carros que tinham optado desviar por ali, e que iam lentamente, em fila. Mas dava espaço para o fazer, e fiquei eu a "encabeçar" o grupo dos "desviantes", na frente.

Entretanto essa estrada segue e junta-se paralela à linha do comboio, passando próximo da estação de Pegões-Gare (ainda um bom bocado fora de Pegões) estando eu à espera do momento em que houvesse uma passagem de nível para cruzar a linha para o outro lado e poder voltar a apanhar a N10 até Pegões.

Mais umas centenas de metros e (eu já temendo isso), o alcatrão desaparece e dá lugar a terra batida. E à que medida que seguia junto à linha de comboio, entrava numa zona de arvoredo. E a terra batida começou a dar lugar a gravilha, areão… e rapidamente o areão passou a ser mesmo areia. Shit... rapidamente dei conta que passei um "point of no return".
Estão a ver aquelas zonas arenosas que se vêem quando passamos na estrada nacional para o Algarve na zona de Pegões – Marateca – Alcáçer? Agora imaginem uma estrada de apenas uns 2,5 metros de largura a cruzar esse tipo de “campos”, e sem possibilidade de se cruzarem dois veículos em sentidos opostos ou até de se fazer uma inversão de marcha! nausea

A dado momento apanho uma zona de areia mais densa (parecia quase areia da praia numa extensão de uns 15 a 20 metros e em toda a largura da estrada), e o que pensei… deixa dar gás, para ter embalagem para passar toda aquela extensão de areia. ERRO!

A mota, com o andamento, quando apanha a zona mais densa de areia fica imediatamente desgovernada, sem aderência, com a direcção não controlável (roda da frente "de lado"), e a rabiar de traseira. Instintivamente só tive tempo de dar dois pares de patadas no chão com as pernas, para a aguentar… mas nesse preciso momento quando sinto a mota inclinada, incontrolável… pensei naqueles micro-segundos, “já estás no chão”. what
Com a ajuda dessas patadas que em certa medida ajudaram a segurá-la, quando consegui finalmente imobilizar a mota, e ela ficou direita e em pé, escorria suor. Não tinha caído (ainda agora me pergunto como?)! releave

Só deu para agradecer a todas as divindades possíveis e imaginárias, não ter espetado com a mota no chão… AINDA! confused

O problema é que a mota neste aparato, engatada, desligou-se. Meto a trabalhar e tento acelerar e imediatamente sinto a traseira a desviar para o lado e a atascar… nova tentativa e quanto mais acelerava, mesmo em pé, segurando a mota apenas “nas pernas”, mais ela atascava. Quando olho para roda de trás, o pneu de trás já estava completamente enterrado e a areia ao nível da jante. Pronto, estou fodido! Nem o descanso podia meter e sair da mota, porque este se enterraria imediatamente na areia.
Muita adrenalina, nervos e suor naquele momento…

A minha sorte é que um carro que vinha mais atrás (um Mercedes classe C ou classe E… nem reparei bem) viu a cena da quase queda eminente e depois o atascanço logo de seguida. Vendo a minha dificuldade e o que se estava a passar, rapidamente dois indivíduos saem dele e acorrem a ajudar-me a segurar a mota.
Com algum esforço, a agarrarem-me a mota por trás, pelas pegas do pendura e tentando levantá-la (para tirar peso da traseira) e ao mesmo tempo amparando e empurrado, enquanto eu ia em pé (e com as botas também meio enterradas) e dando gás aos poucos, conseguimos lentamente tirar a mota da extensão de uns talvez 10 metros de areia mais densa, que ainda faltavam. Aqueles minutos pareceram uma eternidade!
Lá lhes agradeci por toda ajuda e no meio da confusão, eles regressaram ao carro. Segui à frente e eles mais atrás.

Muito a medo lá fui tentando meter em prática aquelas noções que só conhecemos da teoria do off-road (só fiz off-road uma vez e de moto 4)… e eu dizendo mal da minha vida, por me ter metido numa situação daquelas, para mal dos meus pecados, com uma mota de 270 kg, com malas e carregada de bagagem.
Levantar-me na mota, meter peso na frente, ir doseando o acelerador e escolhendo as zonas aparentemente mais compactas… lá fui por mais umas boas centenas de metros, sempre com o carro "salvador" visível no meu retrovisor.

Mas como seria de se esperar (e eu temia), sabia que o risco de encontrar outra zona de areia densa, era enorme… dito e feito! redeye

Novamente e sem alternativa lá tive de enfiar novamente a mota numa zona de areia, mas desta vez, lentamente e já precavido mal senti a perder a frente e na direcção e aquela sensação do guiador guinar involuntariamente, parei de imediato… e mais uma vez a história se repetiu. Às primeiras aceleradelas, só serviram para ajudar a mota a atascar mais.
Alguns segundos depois, lá aparecem novamente os dois rapazes, que com um método semelhante, me ajudaram a meter novamente a mota numa zona de terreno mais compacto à frente. Novamente a salvo e com os agradecimentos devidos, perguntei-lhe se eles sabiam aonde aquela estrada ia dar, ao que me disseram que também não sabiam. E atrás deles seguiam mais uns quantos carros.

Um domingo de Verão, quente, final de tarde e eu metido ali. Seguindo quase sempre entre 1ª e 2ª, muito à cautela, a ventoinha do radiador quase permanentemente ligada, derivado ao calor, paragens e muito baixa velocidade… E depois havia outra agravante…. A indicação da reserva que já vinha a piscar desde antes da Marateca (o que eu amaldiçoei ter passado e não ter abastecido nessas bombas, pois preferi abastecer mais à frente em Pegões). Ou seja, para cumprir a Lei de Murphy, só faltaria mesmo ficar sem gasolina ali! rolleyes

Mas aquele inferno não acabava e cada vez mais nos embrenhávamos no meio dos campos e árvores, com a única marca de civilização, a linha férrea ali ao lado, a malograda estrada de areia com marcas de pneus e o(s) carro(s) atrás de mim… e para piorar, surgiu um entroncamento. Claro que a opção imediata foi continuar a seguir paralelo à linha do comboio. Era impossível voltar atrás ou inverter a marcha, e mesmo que fosse possível, a voltar, iria passar as zonas dos atascanços. Aquilo afinal tinha que ir dar a algum lugar!

Ganhando alguma confiança mais, com sangue frio e alguma destreza, lá fui devorando o que me pareceram uma dezena de km, e até o Mercedes que via no retrovisor foi ficando para trás (também deve ter sido "interessante" passar por ali, de carro). tass

Quando comecei a ver casas e pouco depois a estrada de terra e areia deu lugar aquele alcatrão granulado, velho e mal cuidado, para mim foi um imenso oásis.
Entrei assim numa aldeola e mais umas centenas de metros lá estava a típica tasca com um quanto pessoal agarrado à "mine", à entrada.

Encostei, primeiro para suspirar fundo e mudar a fralda de tão borrada que estava. poop
E depois para perguntar o caminho para Pegões (nem sequer sabia em que aldeia estava, tendo depois sabido que era São João das Craveiras). Podia ter tentado socorrer-me no telemóvel (nem sei se sequer tinha rede ali), mas também com receio de me meter novamente por maus caminhos, preferi mesmo perguntar.

Lá me deram as indicações necessárias, ao que ali também já sabiam do acidente que havia cortado a estrada N10.
Mas questionaram-me entre algum riso e estupefacção, como é que eu, com aquela mota tinha feito aquela estrada!? think wtf

Lá reencontrei o caminho, que apesar de estradas estreitas, com buracos e mau piso, naquele momento me pareciam do melhor, pelo simples facto de terem… isso mesmo… betuminoso asfáltico!

Ainda tive de parar naquelas estradecas numa bifurcação, para rapidamente abrir o waze e me reorientar… Olhei, ainda vi a torre da água de Pegões... acabando a sair próximo da rotunda com a N4, que vai de Pegões para Vendas Novas. E quando a BP de Pegões me apareceu, que sensação de alívio!!! cool
Estava eu a entrar nas bombas, pouco depois passa o Mercedes com os dois rapazes (que também devem ter ando meio perdidos por ali), que me viram, buzinaram, ainda lhes levantei a mão em sinal de agradecimento.

Só nas bombas vi o meu estado… branco do pó que apanhei, as botas, casaco, capacete e a mota (sim… branca, mas desta vez da película de pó)… As luvas quando as tirei e sacudi, levantaram uma nuvem de poeira. Cof, cof, cof...

Abasteci, meti-me à estrada, em andamento ainda liguei para casa… e com a puta desta "desventura", havia perdido praticamente uma hora, arruinando a média de viagem…
Mas a mais valia do momento… EU E A MOTA, APESAR DE TUDO, ESTÁVAMOS AMBOS INTACTOS!!! shy

Ao pé disto, o episódio do granizo na RIM 2019, foi "pinérs".

Depois desta, é que me meto mesmo no off-road… ou compro uma adventure (mas das que andam fora de alcatrão)… ou então não troll !
Serviu-me também de lição para, de mota nunca mais, com uma sport-tourer “gorda” e carregada de bagagem, arriscar meter-me por estradas secundárias, especialmente quando não as conheço.
No local do acidente, podia ter virado para trás, novamente até à Marateca e seguido por Águas de Moura… ou então esperando no local que reabrissem a estrada (que era isso o que o gajo da mota que me acenou penso que estaria a fazer). Fui burro... ia naquela de que aquilo seria só um "desviozinho" e até havia mais pessoal a ir por ali, certamente que conheceriam. Wrong!!! censored

Ainda deu depois de cabeça fria, e com o episódio ainda vivo na minha mente, para fazer umas reflexões:
- Se levassse pendura (que não levava), possivelmente teria mesmo ido ao chão logo no primeiro atascanso.
- Eram umas 7 e tal da tarde… Dia ainda, portanto! Mas como seria se fosse de noite?
- Se caísse, como seria para tirar a mota dali, em caso de ela ficar inutilizada para se mover por meios próprios? E mesmo que desse para continuar, caso caísse, de certeza que partiria os suportes das malas e ficaria com duas "malorras" na mão (edit: ou pelo menos uma, porque a mota a cair seria só para um dos lados angel )!
- Se por acaso (não aconteceu)... Mas como seria se aparecesse ali um outro carro, tractor, whatever, em sentido contrário, quando a estrada era estreitíssima e sem praticamente possibilidade de se cruzarem ou inverter ali o sentido?
- Se tivesse atestado da gasolina, possivelmente mais difícil seria lidar com aquela situação com o depósito cheio de mais (quase 20 kg?) de gasolina.
- Estamos sempre a levar verdadeiras lições e a aprender… quer-se ande de mota há 1, 5, 10 ou 25 anos!

Nota: (acabei depois a confirmar no Google Maps, o que me pareceram uns 10 kms no mínimo, foram na realidade “apenas” e só 4 km, mas que pareceram uma epopeia infindável)

[Imagem: k0D5oKW.png]

FIM

P.S. - Agora só falta sair o livro... e o filme!!! lol

Edit: Soube agora que o acidente que me fez andar a "lavrar", fez uma vítima mortal sad :

https://tvi24.iol.pt/sociedade/colisao/i...em-palmela

«Uma mulher de 69 anos morreu, este domingo, na sequência de uma colisão entre o automóvel que conduzia e outra viatura ligeira de passageiros, na Estrada Nacional (EN) 10, no concelho de Palmela (Setúbal), informaram as autoridades.

Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Setúbal explicou à agência Lusa que o alerta para o acidente, ocorrido em Pegões-Gare, foi dado aos bombeiros às 17:35.»


O curioso é que por essa hora (17:35h) ainda estava eu a sair de Lagos... e devo ter chegado ao local cerca de 2 horas depois... ainda estava a estrada totalmente cortada e todo o aparato de policia e bombeiros. O_O

[Imagem: zX4Kq81.png]

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E é por causa disso que nunca deixo a mota ir à reserva. Mas grande aventura... dead

[Imagem: images?q=tbn:ANd9GcSBKDKs6yFSsA6jXIrK7LO...Fbu3pya-zl]
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(29-06-2020 às 14:39)el_Bosco Escreveu:  E é por causa disso que nunca deixo a mota ir à reserva. Mas grande aventura... dead

Por acaso e como tenho noção muito aproximada do nº de km que faço deste atestado até à reserva, por norma nunca vai ao ponto de deixar o último tracinho do gráfico de gasolina, a "piscar".

Ali e como ia em viagem, a opção de abastecer mais tarde e já na reserva, teve que ver com a preferência de marca de combustível (e usar respectivo cartão de descontos). Jamais pensaria que me iria meter nessa mesma "aventura"! censored

São episódios destes que nos "ensinam" e ficam para memória futura!

[Imagem: zX4Kq81.png]

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(01-07-2020 às 14:51)carlos-kb Escreveu:  Ali e como ia em viagem, a opção de abastecer mais tarde e já na reserva, teve que ver com a preferência de marca de combustível (e usar respectivo cartão de descontos). Jamais pensaria que me iria meter nessa mesma "aventura"! censored

É de parar, nem que seja para meter os 2l obrigatórios  smile
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Se tivesses Suzettes... ias ver que ficares sem gasolina era coisa recorrente...
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