A serra já arde
#31

Terá sido neste local que aconteceu:



Há também por ai fotos onde se vê onde a árvore caiu, cortando um sentido e no sentido contrário 2 veiculos batidos, no mesmo local. Assim se fecha uma estrada.

O problema não foi da GNR, o fogo teve vários desvios. Acredito mais nos testemunhos das pessoas daquelas aldeias em volta que dessas que gostam é de culpar a nossa Polícia.

De qualquer forma, aparentemente diz-se que houve problemas no sistema de comunicações, o que tornou a coisa ainda pior.
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#32

Nuno eu ontem felizmente estava longe, mas vinha a ouvir da radio um alerta para as pessoas nao furarem as barreiras da gnr.

Politiquice ou nao, estavam a dar a impressao que algumas pessoas da zona estavam a tomar comportamento de risco deliberado.

Ha que entender que a prioridade principal da proteccao civil e corporacoes e a vida das pessoas. O combate e feito a delinear perimetros e a cortar frentes e a concentrar meios para segurar essas frentes deixando arder o que la estiver... incluindo casas, terrenos, animais...

As pessoas nao compreendem esta definicao de prioridade (eu compreendo claro, estamos a falar de tudo e sustento de familias), e tomam comportamentos que colocam em risco inclusive a vida dos profissionais que as estao a tentar ajudar.

Ha uma coisa que podemos fazer... levem por favor as vossas corporacoes locais o que eles pedirem. Nestes momentos, os bombeiros tem muitas faltas de sumos, aguas, barras energeticas, doces... se possivel em doses individuais.

Eu ontem esvaiziei a minha dispensa... ate gomas (que sobraram duma voltinha de mota),  levei que foram muito agradecidas.


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#33

A culpa não é da GNR. A culpa foi de quem deu essas instruções à GNR. Os homens cumpriram ordens.

A culpa nunca é de ninguém. É da natureza... como sempre.
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#34

vindaloo, eu ontem tava a ver estas coisas naquele canal de noticias da TVI e havia por lá uma senhora que não queria sair do local quando foi dada ordem de evacuação. Só saiu quase à força e no entanto, naquele local, deveriam ter ficado umas 3 ou 4 pessoas que se recusavam de sair de casa.

Como esta situação, há outras mais relatadas. As pessoas não cumprem as ordens e colocam em risco as próprias vidas. Nesta situação a protecção civil e os bombeiros nada podem fazer.

Mas nunomsp, acredita que no dia 17 a mãe natureza mostrou quem manda.
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#35

(19-06-2017 às 10:59)OFFICER Escreveu:  em primeiro lugar está a vida humana, o resto são danos materiais.
Ainda a pco li alguem a chamar burros e ignorantes a essas pessoas porque eram apegados as coisas e que o mal até era do padre da paroquia! confused A serio que li isto, enfim, continuando. Ha que compreender que muitas destas pessoas nunca conheceram algo a nao ser o que tem e onde vivem, logo a vida deles é aquela, aquela casa, aqueles terrenos, aqueles cultivos.
Existe sim gente muito mais ignorante que nao conhece a realidade e a dureza da vida das pequenas aldeias, para pessoas ja com os 50/60 que sempre viveram lá e vivem essencialmente do que a terra dá, esperam o que deles?
O que eles tem define a vida dessas pessoas e nao, nem pouco mais ao menos é uma questão materialista. Muitos deles mais depressa oferecem o pouco que tem, que esses miseráveis que andam de gravata.
Mesmo quanto a questão dos eucaliptos tem muito que se lhe diga, sao propriedades de terra que passam de gerações em gerações, as pessoas plantam eucaliptos no que é seu nao em qualquer lado como se pode pensar. Poderia haver politicas a delimitar certas coisas mas não é de todo uma questão assim tao simples, envolve questões de bens e propriedade individual.
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#36

Ha sempre muito a ser feito, mas efectivamente a natureza e capaz de coisas devastadoras...

Eu nao tenho palavras para descrever a tristeza que sinto pelas pessoas que faleceram, pelos familiares destas, pelas que perderam tudo, pelas que ainda vao descobrir a verdadeira amplitude desta tragedia e ate por cada um de nos que ao passar naquela zona, de certeza que iremos sentir uma sombra negra...

Mas neste caso em particular, nao consigo nem sinto a necessidade de apontar dedos...


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#37

O problema não é o plantar no que é seu, é o plantar sem planeamento, sem caminhos de acesso, sem controlo algum. Não limpar as suas propriedades também é grave. Mas isto não é só ali que acontece, é um pouco por todo o lado. Um eucalipto ganha alturas significativas, que em caso de incêndio faz chamas enormes, como foi relatado por um piloto de um dos KAMOV. Falou em altura de 60 metros de chamas com ventos na ordem dos 150kmh.

E eu acredito que seja dificil largar as coisas, no entanto as pessoas ficam desesperadas à espera dos bombeiros, que nunca vão chegar. Acabam por muitas vezes perder tudo na mesma e a própria vida.

Enquanto não houver controlo destas coisas, isto vai continuar a acontecer. Felizmente que não tem havido tantas mortes como houve, e felizmente que temos bombeiros sempre dispostos a arriscarem a vida por tuta e meia para proteger propriedades e pessoas.
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#38

(19-06-2017 às 11:45)OFFICER Escreveu:  vindaloo, eu ontem tava a ver estas coisas naquele canal de noticias da TVI e havia por lá uma senhora que não queria sair do local quando foi dada ordem de evacuação. Só saiu quase à força e no entanto, naquele local, deveriam ter ficado umas 3 ou 4 pessoas que se recusavam de sair de casa.

Como esta situação, há outras mais relatadas. As pessoas não cumprem as ordens e colocam em risco as próprias vidas. Nesta situação a protecção civil e os bombeiros nada podem fazer.

Mas nunomsp, acredita que no dia 17 a mãe natureza mostrou quem manda.

Eu sei disso.. ai nao ha nada a fazer.

Nao podemos perder de vista que os profissionais no combate sao pessoas tambem. Pais, filhos, irmaos... e que muitas vezes sao postos em situacoes impossiveis de gerir, colocando-se a si mesmos em risco.


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#39

Diogo, eu ajudo todo o ano.

Sou sócio, faço donativo sempre que fazem peditórios seja em Mortágua, seja na estrada.
Contribuo com alimentos e bebidas sempre que necessário.

Se há alguma entidade que merece todo o meu respeito e admiração são os Bombeiros Voluntários.
Temos um país com mais generais que os EUA pagos principescamente , mas depois dependemos de voluntários mal pagos, mal equipados para nos defenderem dos flagelos que nos atingem de verão e de inverno (imaginem se todos os voluntários pendurassem a farda).

As coisas só correm bem nos simulacros, e aí aparecem todos envaidecidos a elogiar os excelente desempenho dos meios. Quando é a sério e corre mal, a culpa é da natureza.

A floresta é composta por árvores e vegetação que arde, e sempre arderá.

É preciso criar acessos que facilitem o combate aos incêndios, dotar as corporações de meios de combate eficazes, dar formação, criar perímetros de segurança em volta das povoações, criar e divulgar planos de segurança claros e sensibilizar a população para o que deve fazer.

Fala-se no emparcelamento... na minha opinião é um grande disparate.

Repara, aqui em Mortágua a economia vive muito do eucalipto, graças a isso a crise não foi tão severa como em muitos outros locais, porque muita gente tem o seu pé de meia criado com esse rendimento.

Como há muita gente a viver da floresta, a Câmara e as Juntas de Freguesia investiram muito na criação de acessos (bons acessos) e na sua manutenção anual.

Como quase toda a gente tem aqui um "bocadito", quando há um incêndio, muitas vezes quando os bombeiros chegam, já a população atacou o incêndio com os meios que possuem. Em muitas povoações as pessoas juntaram-se e compraram tanques com bombas para ligarem aos tratores e fazerem combate aos incêndios.

Com as dificuldades crescentes à exploração florestal, a floresta começa a ser um encargo em vez de uma fonte de rendimento, e o que vai acontecer é que é abandonada e aí sim passa a haver problemas sérios.

Boas curvas! 
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#40

(19-06-2017 às 12:02)nunomsp Escreveu:  Diogo, eu ajudo todo o ano.

Sou sócio, faço donativo sempre que fazem peditórios seja em Mortágua, seja na estrada.
Contribuo com alimentos e bebidas sempre que necessário.

Se há alguma entidade que merece todo o meu respeito e admiração são os Bombeiros Voluntários.
Temos um país com mais generais que os EUA pagos principescamente , mas depois dependemos de voluntários mal pagos, mal equipados para nos defenderem dos flagelos que nos atingem de verão e de inverno (imaginem se todos os voluntários pendurassem a farda).

thumbsup

Nutro igual respeito.

(19-06-2017 às 12:02)nunomsp Escreveu:  As coisas só correm bem nos simulacros, e aí aparecem todos envaidecidos a elogiar os excelente desempenho dos meios. Quando é a sério e corre mal, a culpa é da natureza.

Ha outra 'natureza' tambem culpada.

A natureza humana em geral, assume um comportamento erróneo em casos de desastre.

Comentava ontem que em simulacros de edificios que e um ambiente perfeitamente passivel de ser mais controlado, construcao mais ou menos recente e se consegue concentrar um maior numero de pessoas para lhe dar formacao e directrizes de actuacao, ha um comportamento completamente absurdo na maioria dos casos. Toda a gente tende a fugir pelo caminho aparentemente mais facil.

Ninguem olha para um carretel de incendio ou para um extintor. Ninguem se preocupa em fazer manutencao regular as centrais supressoras incendio ou procurar entender o seu funcionamento. Ninguem quer saber se ao abrir uma porta por onde nao deve ir esta a cortar caminho a evacuacao de outros ou a permitir a entrada de fumo / ar novo para catalisar uma combustao em curso...

Imagina em meio rural, onde acessos a povoacoes sao por uma estrada unica, onde tens de lidar com a resiliencia em abandonar o sustento de uma vida, muitas vezes associado tambem a pessoas idosas com dificuldades de julgamento e dificuldades de mobilidade. Onde existem muito mais variaveis que nem sei como comecar a enumera-las...


(19-06-2017 às 12:02)nunomsp Escreveu:  Como há muita gente a viver da floresta, a Câmara e as Juntas de Freguesia investiram muito na criação de acessos (bons acessos) e na sua manutenção anual.

Vamos apoiar e incentivar os bons exemplos!

(19-06-2017 às 12:02)nunomsp Escreveu:  Como quase toda a gente tem aqui um "bocadito", quando há um incêndio, muitas vezes quando os bombeiros chegam, já a população atacou o incêndio com os meios que possuem. Em muitas povoações as pessoas juntaram-se e compraram tanques com bombas para ligarem aos tratores e fazerem combate aos incêndios.

Com as dificuldades crescentes à exploração florestal, a floresta começa a ser um encargo em vez de uma fonte de rendimento, e o que vai acontecer é que é abandonada e aí sim passa a haver problemas sérios.

Situacao excepcional entao pela tua zona.

Embora tambem se assistam a estas manifestacoes civis no combate, na zona florestada circundante de leiria, a maioria dos terrenos sao pertenca do estado que e o primeiro a deixar ao abandono esses terrenos.

O estado toma posse gradual destes terrenos, a medida que as geracoes vao sucedendo perdendo muitas vezes o rasto ao ordenamento de territorio pois os terrenos eram marcados por marcos e pedras que entretanto vao desaparecendo. Chega-se a um ponto que ninguem se entende.


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