(08-11-2016 às 22:39)ChicoMPM Escreveu: [ -> ]Alguém me explica porque é que a Honda parou de fabricar Hornets? Pelo que li a Honda CB 650F tirou-lhe o lugar.
Não vejo de todo a CB650F como a sucessora da Hornet.
A Hornet600 teve a sua génese no conceito de moto "street-fighter", ou seja, pegando directamente no motor de uma desportiva (na sua época, quer se queira, quer não, a CBR600F era exactamente isso, uma desportiva), e sem praticamente o descafeínar, como era hábito, criou-se uma naked agressiva e de elevadas prestações, com números muito próximos da sua irmã vestida. Ok que para a actualidade a coisa pode agora parecer algo desfasada e uma naked de 600cc com quase 100cv não ser nada demais. Mas no seu tempo, a Hornet 600 era do mais agressivo que podia haver entre o universo naked. Outras marcas fizeram o mesmo, mais ou menos em simultãneo, como a FZ6 na Yamaha, ou a GSR600, no caso da Suzuki.
A Honda aplicou literalmente a mesma receita depois à Hornet 900, que foi buscar a sua essência na unidade motriz da Fireblade 900 (se bem que neste caso, um pouco menos potente em relação à mana desportiva). E o mesmo se passou com as desportivas de litro, que aos poucos foram originando as suas versões street-fighter, despidas.
A CB650F é diferente. Monta um novo motor inline4, ou seja, não vai buscar o bloco já usado em alguma desportiva, e apenas o partilha com a versão vestida (CBR650F), sendo que ambas seguem um conceito mais uniforme, privilegiando o binário, em detrimento da potência pico, respeitando ainda as normas mais restritivas em termos de emissões e reduzindo consumos, numa perspectiva de criar uma all-rounder, um pouco como a Honda já tinha tentado fazer com as CBF600, anteriormente. No fundo, e se quisermos tecer esse paralelismo que falas, as CB650F estarão sim como uma sucessora, não das Hornet 600, mas das CBF600N. E a CBR650F é no fundo uma nova CBF600S, ainda mais vestida que esta.
Para além que de que, quer na CB650F, como na CBR650F, pode facilmente ser criada uma versão apta para A2 (se é que não as haverá já, ainda que em Portugal não), respeitando a Directiva que impõe que o modelo limitado não pode derivar de um modelo com mais do dobro da potência na sua versão original.