Reflexões motociclisticas
#1

Boas a todos!!

Decidi fazer um post para mexer alguma coisa aqui pelo forum.

Está prestes a fazer 4 anos que adquiri a minha Royal que apelidei de "arroz de caril".
Foram quase 4 anos, que não foram propriamente livres de problemas mas que gostei, e continuo a gostar.

Quando era puto nunca imaginaria que iria andar com uma moto de "velho" ou de estilo mais clássico como a Royal.

A verdade é que encaixa no que quero, melhor mesmo só se fosse uma cruiser, mas o meu bolso não se enquadra com cruisers, pelo menos coisas mais recentes ou mais americanas.
Também com a idade ganhei uma espécie de aversão a tecnologia, talvez porque associo a obsolência programa, tal como acontece atualmente a diversas coisas e mercados, e portanto passo algum tempo a ver "montras" de motos mais antigas.

A Royal é uma moto que mexe, sinto o motor a trabalhar e consigo ouvi-lo claramente algo que para mim é importante. A uns tempos testei a NC de um colega, fez-me confusão não conseguir perceber, com o capacete posto se ela estava a trabalhar ou não, não vibra, não "mexe", é muito silenciosa, não sentia nada... Em andamento a mesma coisa, suave e confortável, sem dúvida, mas se não olhasse para o painel não me tinha apercebido que já tinha ultrapassado em muito o limite de velocidade.

A conclusão que posso tirar é que apesar de sim, é confortável, prática e fácil de conduzir, irremediavelmente me iria aborrecer da moto.

São ideias, mentalidades, gostos que diferem de pessoa para pessoa.

Na Royal é sempre a levar com o vento (a dias na A28, estava a morrer com o vento gélido), ao fim de algum tempo tenho o rabo "quadrado", no verão o calor é insuportável, é pesada e precisa de algum incentivo para curvar, mas acho que todos esses defeitos da moto é o que chamam de carácter. Motos mais modernas sinto que são demasiado perfeitas, são insossas, fáceis e confortáveis, mas tão neutras e aborrecidas, são hambúrgueres quando quero uns belos rojões ou uma maravilhosa sopa de pedra.

Talvez por andar com moto de velho a minha mentalidade se tenha tornado velha, ou simplesmente, hoje, sou apenas um velho... Hoje graças a moto conheço mais pessoas, tenho bons amigos, conheço mais sítios, e em vez de ficar em casa a vegetar, ou a jogar PC, saio com frio e vento e vou para qualquer lado, e qualquer desculpa é boa para rolar e fazer kms.

A moto é boa para calar a cabeça, descansar a mente e falar comigo próprio sobre isto ou aquilo. Devia ter começado a andar mais cedo, talvez não tivesse desperdiçado tanto da minha vida com coisas e pessoas que não valem o tempo e o esforço.

Hoje a caminho dos 44, vejo a vida de forma diferente, em parte derivado aos anos de vida e experiências de vida, por outro lado, e apesar de soar como clichê, é por andar de moto. As coisas mudam de perspetiva, começamos a dar valor ao tempo e não as coisas.

Comecei com uma 125cc em 2018, uma chinoca engraçada, hoje ando com uma 650cc indiana. Já fui a diversos sítios no nosso Portugal, e a alguns em Espanha. A N2 já está feita, e certamente é algo para repetir. Os picos da Europa estão para perto, e raios me partam se não vou atravessar os Pirineus de norte a sul.

De puto com fascínio por desportivas de uma marca verde, sou hoje um gajo que gosta de motos de "velho" e com defeitos. Não sei por quanto tempo andarei nesta vida, mas seguramente será sempre que possivel de moto.

Não procuro velocidade, não tenho interesse de andar de faca nos dentes a "esgaçar", não tenho necessidade de medir salsichas, apenas quero passar um bom bocado, quero boas experiências com bons amigos.

A vida passa cada vez mais rápido, já não tenho paciência para "merdas", para dramas e badalhocas ofendidas, só quero aproveitar o tempo que tenho, e compensar o tempo que perdi.

Um abraço a todos, e boas curvas.

[Imagem: hVot6pk.jpeg][Imagem: CvkgKY0.jpeg][Imagem: 1lvMb4M.jpeg][Imagem: tkscuMl.jpeg][Imagem: q1UBM0L.jpeg][Imagem: U4oKD8U.jpeg][Imagem: 9cbIGIl.jpeg][Imagem: meCdh8a.jpeg]
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#2

Os Pirineus nao se fazem de norte a sul!

Tudo o resto pá, desde a perspectiva de um gajo de 47 anos, és un tenrinho pá! bigsmile

Quando chegares à minha ainda tenra idade, vais perceber que fazaias a coisas de uma forma diferente, que as coisas que eram verdes agora sao amarelas e que os cabelos estao pregressivamente a desaparecer ou a ficar brancos!

Acredita que eu no outro dia encontrei um pelo branco na fronteira entre o tico e o teco e isso pá, faz disparar muitos alarmes!

Continuo a andar de mota, pouco de cada vez, mas sempre que posso, nao falha!

As poucas viagens que ainda faço sao mais duras, com alguma noite ao relento, javalis a cheirarem as latas das conservas ou despertares com abutres em vigilia! Mas preciso desse castigo, porque a vida que tenho é demasiado branda para um gajo que já teve fama de ser uma fraude! blink

Dentro de 10 nos nao tenho ideia de como sera a minha vida, salvo duas coisas.
O meu numero de cabelos/pelos brancos ira em aumento e que nao consigo conceber uma vida sem pelo menos uma mota na minha garagem (com uma montanha de coisas que ainda nao fiz con a desgraçada da mota).

Curte bué miudo, independentemente da mota, dos teus destinos ou do que te rodeia, enquanto seja de mota, curtir é obrigatorio!
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#3

(11-03-2026 às 17:37)LoneRider Escreveu:  Os Pirineus nao se fazem de norte a sul!

Tudo o resto pá, desde a perspectiva de um gajo de 47 anos, és un tenrinho pá! :D

Quando chegares à minha ainda tenra idade, vais perceber que fazaias a coisas de uma forma diferente, que as coisas que eram verdes agora sao amarelas e que os cabelos estao pregressivamente a desaparecer ou a ficar brancos!

Acredita que eu no outro dia encontrei um pelo branco na fronteira entre o tico e o teco e isso pá, faz disparar muitos alarmes!

Continuo a andar de mota, pouco de cada vez, mas sempre que posso, nao falha!

As poucas viagens que ainda faço sao mais duras, com alguma noite ao relento, javalis a cheirarem as latas das conservas ou despertares com abutres em vigilia! Mas preciso desse castigo, porque a vida que tenho é demasiado branda para um gajo que já teve fama de ser uma fraude! ;)

Dentro de 10 nos nao tenho ideia de como sera a minha vida, salvo duas coisas.
O meu numero de cabelos/pelos brancos ira em aumento e que nao consigo conceber uma vida sem pelo menos uma mota na minha garagem (com uma montanha de coisas que ainda nao fiz con a desgraçada da mota).

Curte bué miudo, independentemente da mota, dos teus destinos ou do que te rodeia, enquanto seja de mota, curtir é obrigatorio!

Sim, tecnicamente não se fazem de norte a sul, contornam-se e aqui e ali, e acho que dá para fazer um ou dois zigzag entre Espanha e França. A ideia era tipo San Sebastián, até Girona.

Entendo a parte dos cabelos brancos, eu comecei muito cedo com eles, antes dos vinte. Deduzo que se não começasse a rapar a cabeça aos meus 22, lá para os 26 deveria parecer o Ravanelli. Hoje o que resta é a barba, e essa está praticamente branca.

O que assusta mais a mim, não é os cabelos, e o caraças de dores, e da ferrugem, hoje em dia durmo um bocado torto e parece que fui espancado durante a noite.

Se calhar isso das viagens mais duras até percebo. Sempre fui, e isto falo apenas de mim, um miúdo muito protegido, e um gajo muito mole, se calhar o fato de preferir a moto que ando, de não ser tão confortável e isso, também possa ir um bocado ao encontro disso. Talvez queira algo mais difícil e mais duro por eu, ter sido mole, ou por precisar de me desafiar.
Não, nem de perto nem de longe, como tu, a acampar no meio do monte, sozinho, mas um dia quem sabe.

Sim só resta mesmo curtir, aproveitar o que resta, para ter boas memórias e histórias para contar mais tarde, é isso que tem piada. Ninguém vai querer ouvir uma história, em que numa hora respondeste a 50 emails lá no emprego, vão querer ouvir é quando alguém se enganou no caminho, ficou apeado no meio de terra de ninguém, e como se safou dessa aventura.

Um abraço.
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#4

@Malvo, que introspeção!

Ainda me lembro de ir para a pré-primária de vespa com o meu pai. Verão ou inverno. Kitada a 75!!! Que saudades que tenho!!! O meu pai, sabendo o que tinha em casa, decidiu vende-la quando eu teria uns 12 ou 13 anos. O problema, é que o meu padrinho tinha na garagem do meu pai uma casal 2...

Essa casal sofreu! E eu também. Assim que pude, aos 19 tinha a carta de mota. A CB250 que hoje ainda está à porta de minha casa, foi a professora que depois parou por quase duas décadas.

Hoje tenho a Bandit 1200 (quase por acidente - não queria tanto). Agora nos meus 46 anos (já com cenas brancass como as que o Lone descreveu...) sinto que perdi tempo longe das duas rodas. Mas outras coisas aconteceram e de nenhuma me arrependo. Mas tempo não estica e é aproveitar o que vamos tendo.

Quanto a motas velhas - eu sou fã! Ontem à conta disso disseram-me: "És mesmo vicking pah!". Acho que não. Sou mais gente rude do campo que se viu "preso" num mar de betão.
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#5

(12-03-2026 às 10:27)cconst Escreveu:  @Malvo, que introspeção!

Ainda me lembro de ir para a pré-primária de vespa com o meu pai. Verão ou inverno. Kitada a 75!!! Que saudades que tenho!!! O meu pai, sabendo o que tinha em casa, decidiu vende-la quando eu teria uns 12 ou 13 anos. O problema, é que o meu padrinho tinha na garagem do meu pai uma casal 2...

Essa casal sofreu! E eu também. Assim que pude, aos 19 tinha a carta de mota. A CB250 que hoje ainda está à porta de minha casa, foi a professora que depois parou por quase duas décadas.

Hoje tenho a Bandit 1200 (quase por acidente - não queria tanto). Agora nos meus 46 anos (já com cenas brancass como as que o Lone descreveu...) sinto que perdi tempo longe das duas rodas. Mas outras coisas aconteceram e de nenhuma me arrependo. Mas tempo não estica e é aproveitar o que vamos tendo.

Quanto a motas velhas - eu sou fã! Ontem à conta disso disseram-me: "És mesmo vicking pah!". Acho que não. Sou mais gente rude do campo que se viu "preso" num mar de betão.

Viking? Porque gostas de motos mais antigas? Não podemos todos gostar do mesmo.

Pah falando por mim, gosto de motos mais antigas, porque via muitas delas nas revistas, e cresci com elas. Gosto de motos mais antigas, porque se parecem com motos, e não com um vilão do Dragon ball!! Gosto de motos antigas porque não preciso de meter um "arkapobicho" para a ouvir trabalhar, e uivar quando lhe dou gás, e não parecem máquinas de costura a trabalhar.

Não as posso conectar ao telemóvel, e não me aparece nada no mostrador a dizer que tenho os pneus mais vazios ou que está na hora da revisão.

Não são necessariamente motos mais simples, mas neste mundo atual são.

Anda tudo conectado pah, eu quero é desconectar!!

Estou farto de ecrãs, e notificações, e avisos, e notícias, e mensagens... Já tenho disso que chegue, quero uma fuga disso.

Ando de moto para desconectar, e quero que a mesma seja desconectada também.
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#6

[Imagem: Mhkx7WX.jpeg]

É pá Malvo, está é a foto do cockpit da BabieKa, suponho que isto te deve produzir urticária não?

[Imagem: uUdcuZW.jpeg]

É esta já provoca convulsões!?


Estou na brincadeira (como quase sempre) para te mostrar uma (das muitas) contradições minhas!

Eu utilizo a tecnologia para andar perdido, para estar longe de tudo e de todos, com um objectivo, purgar o stress diário.

Ou seja, não importa o grau tecnológico do teu veículo, mas sim se lhe das uso e que tipo de uso lhe das!

Dito isto, eu entendo perfeitamente o que dizes, já que se eu tiver que comprar uma mota nova nos próximos tempos, a extensão de gadjets electrónicos na moto vai ser um dos maiores contrapesos na balança, quase sempre com conotação negativa.

Mas, para que tu saibas, existe no cardápio das motos modernas, motos que ainda usam as coisas à antiga. Existe uma mota no mercado que está a criar furor, que é a Kove 800 X Pro que tem ganho adeptos precisamente porque é simples, rude e só tem electrónica para o que realmente importa (para a homologação). E quando a oiças, acho que vais gostar!

Quando te recompores do veneno deste post, se fores um gajo de mente aberta, vais ter uma olhar diferente ao mundo das motas!

(ainda bem porque se vais ter um olhar diferente para mim vou ter que correr!)
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#7

Hahaha já me estou a coçar.

É obvio que exagero, e claro para viagens um pouco de tecnologia é sempre bem vinda, não me apetecia estar sempre de X em X quilómetros a desdobrar o mapa e tentar ver onde estou e para onde vou.

Eu falava mais, como dizes, dos gadgets. Acho que são muito exagerados, e sendo eles integrados na moto, eventualmente vai dar barraco, e sendo tudo eletrónica o comum dos mortais não pode fazer muito. Com motas simples um bocado de desenrasque e algumas ferramentas se calhar até te safas.

Todos aqueles modos de condução e controlo de tração com sensor de inclinação, e para não falar daquele aborto nas KTM que ao fim de algum tempo bloqueavam certas coisas para pagares mais... E não era a Zero, aquela marca de motos eléctricas que te forçava a ter uma mensalidade, para puderes usar punhos aquecidos e isso, que a moto já trazia de origem?

Sim já ouvi falar das Kove, a 800, e a 450 rally parecem ser motos serias para off-road, e até acessíveis no mercado em que vivemos atualmente.

Nunca vi nenhuma ao vivo, mas já que daqui a uns tempos vou espreitar por curiosidade a nova KLE, também devo espreitar umas Kove só por curiosidade também.
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#8

Eu claramente vou contra corrente do que comentais. A realidade é que para tiradas maiores, onde a qualidade das estradas que passas varia muito, uma suspensão adaptativa faz "milagres", e tem impacto na segurança em diversas formas. Os controlos de tracção também ajudam nas mesmas condições, e que um susto não passe de isso. Podemos viajar sem isso sem dúvida, mas notam-se, principalmente quando faltam. E é verdade que podem dar problemas mais facilmente, e já tive alguns "gremlins" em viagem, mas simplesmente deixava de ter momentaneamente algumas funcionalidades, nunca fiquei na estrada por isso. E no caso especifico das KTM, é sinal de que a bateria já deu o que tinha a dar. Em termos de "setup", no meu caso tenho algo mais simples, um telemóvel robusto para aguantar tudo sem se queixar. É imprescindível para continuar a ter pontos na carta de condução lol e em viagens mais longas pelo meio do nada, onde nem a comunicação com possíveis locais será fácil, ajuda muito. Ou quando se lembram de cortar estradas ao fim de semana para os ciclistas andarem sossegados (sacanas dos Franceses)... Tirando isso, uso para ouvir musica.

E não sou necessariamente um gajo que anda de faca nos dentes, mas essa disponibilidade que tem um motor grande, faz a condução mais agradável com a minha forma de conduzir uma mota. Tem os seus inconvenientes sem dúvida, mas para mim são maiores os benefícios.

Viajar de mota, ainda que hoje em dia o faça muito menos do que gostaria, tem de fazer parte das minhas férias. Alguns planos vão ficando adiados, outros cumprem-se mais rápido do esperado, mas sempre guardo uns dias para mim. Hoje em dia quase sempre ando sozinho, salvo raras excepções, mas também a isso me habituei, e a verdade é que te dá muito mais liberdade. Gosto de partilhar com outras pessoas a viagem, mas nunca deixei de fazer o que gosto por não ter companhia.

No final do dia, o importante é termos esse espaço para nós mesmos, seja de mota ou como seja, e que encontremos o espaço e o momento para recarregar baterias.
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