Qualidade
#1

Ora então decidi fazer este post, para ter com o pessoal um "tête-à-tête" sobre o que achamos ser qualidade, ou só mesmo para transmitir o que me vai na cabeça relativamente a este tema, mais propriamente, qualidade relativamente a marcas, modelos, e a ideia de qualidade que as mesmas devem corresponder.

Tive esta ideia depois do post das "chinesadas" uma ideia que se desenvolveu bastante rápido e que decidi postar.

E então o que é qualidade?
A qualidade pode ter várias vertentes, e uma delas será a "qualidade" do material ou seja, as características do material.

Por exemplo aço. Existem vários tipos de aço, com diversos tipos de durabilidade etc. O aço com melhores características é mais caro, pois oferece mais durabilidade e resistência, e todo o processo relacionado com a sua produção é também mais caro.

Outra designação para qualidade é quantidade... Para a construção de uma peça, é calculado que a mesma deverá ter, por exemplo, 1,2cm de diâmetro... Decidem fazer a mesma peça com 1,8cm de diâmetro. Mais quantidade, mais durabilidade, mais material gasto, mais caro, mais "qualidade".

Outra designação de qualidade é o que chamo de apresentação... Uma peça moldada e montada sem qualquer tipo de cuidado é uma peça de inferior qualidade, isto comparavelmente a uma mesma peça que depois de moldada, as beiras são limadas e polidas. Por vezes contem detalhes ou o símbolo da marca, cuidados e tempo extra que elevam o preço e é considerado de qualidade.

Ora então, e exemplos?
Bem vejamos a Honda CB750 dos anos 90. Mesmo depois de todos estes anos, muitas delas ainda ostentam os mesmos escapes, logo partimos do princípio que foram construídos com material de qualidade.

Ducati 916... Ainda me recordo como a treliça do quadro era bastante fina, podemos assumir que o material usado tem características superiores, portanto mais resistência etc, logo mais qualidade. Obviamente que a construção em treliça também é importante...

Outro exemplo, mais uma vez Ducati e, por exemplo, MV Agusta... Muitas vezes as motos destas marcas, tem parafusos personalizados, com o símbolo da marca, ou construídos individualmente para modelos topo de gama, detalhes primorosos e por vezes até desnecessários, mas que são de qualidade.

Isto são exemplos mais ou menos corretos ou suposições mais ou menos correctas.

E então, tudo isto porque? Bem, uma data, 2008. Afirmo e já por vezes dialoguei com vários motociclistas, mais velhos e experientes que eu, que depois da crise de 2008, a qualidade geral das motos, essencialmente desceu.

A crise foi pesada e as marcas para sobreviver e dar a volta, tiveram que fazer o máximo com o mínimo possível, algo que é perfeitamente compreensível.

Estamos a falar de um modo geral, pois modelos topos de gama, os símbolos, os porta estandartes das marcas não podem apresentar essas "falhas".

Acredito que essa mentalidade de pós 2008 continua nos dias de hoje, possivelmente ainda mais agravada com os níveis de tecnologia "impostos" e esperados no mercado de hoje. Tudo tem custos e tudo tem que ser analisado e orçamentado.

Daí uma base, por exemplo da Kawasaki, é usada para uma naked, uma tourer, uma naked clássica, etc. Reduzir custos, simplificar, dinamizar todo o processo.

Os custos aumentam, o poder de compra não segue necessariamente esse crescimento, e então decisões tem de ser tomadas.

"Japonês é japonês" ou "japonês não engana", ou até mesmo "BMW é que é de guerra"... E é verdade, pelo menos em tempos foi, e hoje essencialmente ainda se mantém essa ideia.

Mas será mesmo assim?
Quadros Yamaha rachados nas MT09? África Twins com 2/3 anos com quadros oxidados ou com ferrugem? Triumphs caríssimas em que ao abrir o motor, apresentam vestígios em que o cilindro da direita apresenta estar a ter um funcionamento "pobre", enquanto o da esquerda apresenta indícios de estar a funcionar de forma "rica"?

Pois é... Percam uns minutos e encontram isso e muito mais por essa NET fora. Não quer dizer que no passado não existisse situações complicadas como estás, simplesmente poderia não se falar tanto, porque essencialmente não havia internet... Mas recordo que nos anos 90, por exemplo os recalls eram muito raros, hoje em dia são "normais".

Claro que existem outros fatores para estas situações que podemos não conhecer, mas no passado era impensável ouvir tais coisas!!

Tudo mudou e vai continuar a mudar. Custos tem que ser controlados e existe uma procura de equilibrio entre qualidade, e custo.

Motas com "tablet" é normalíssimo hoje em dia, algo que no passado era "topo de gama e avançado" hoje em dia é feito as toneladas na China e mais barato!!

Marcas com partes da linha, na China e em locais semelhantes para poupar custos é normalíssimo, grandes percentagens de peças de muitos modelos japoneses e não só, são feitas na China, Índia, Bangladesh ou isso...

Isso torna uma Honda, uma BMW, uma Ducati pior? Talvez não, existe muita tecnologia nessas linhas de montagem, e sei que existe controlo por parte das marcas, mas se essa tecnologia existe, então vai se propagar por esses locais, vai-se normalizar, então porque não experimentar marcas desses locais?

Eu contra mim falo, eu que em tempos, fui em parte anti aquilo, e isto. "Carros da Coreia? É pah isso é lixo"... "Feito onde, no Vietname? E pah isso não presta"... Fui assim e pensei assim... Hoje tenho um carro coreano com mais de 15 anos, comprado novo, uma moto chinesa e outra indiana.

Tudo isto para dizer o que?
Ao longo da história mais antiga ou mais recente, nada é permanente, tudo muda!!

Impérios caem, bancos caem em ruína, grande empresas implodem, ou torna-se irrelevantes, tudo porque a única certeza é a mudança.

A HD, uma marca que anda a circular o ralo, a sarjeta a anos, que se recusa a ler o mercado, e continua constantemente a perder cota, é um exemplo. Motores problemáticos, qualidade em queda de material, preços cada vez mais elevados...

Sanyo, Triumph, Bugatti, McDonald Douglas, etc, empresas que em tempos foram gigantes, ou ícones de.luxo e qualidade, que caíram, algumas mais que uma vez, ou que se fundiram para se salvar, porque a dado momento não acompanharam a mudança, não investiram corretamente, não forneceram material com a qualidade de outrora!

No meio disto tudo quem se lixa é o mexilhão, o povinho, nós!! Hoje em dia "amor a camisola" não te leva a lado nenhum, lealdade a marcas é uma mentira, ou uma obsessão digna de cultos religiosos.

Não querem saber de ti, nem sequer respeitam o cliente. És uma probabilidade, uma percentagem, és um número. Insultam-te com períodos de teste, funções que usas e gostas, para depois te bloquear por trás de mensalidades, algo que é teu, a tua propriedade.

No entanto coisas novas surgem, empresas jovens surgem, produtos novos surgem, coisas engraçadas, coisas atraentes. Diversidade no mercado é bom, opções são boas, se não fosse assim, andávamos todos com o mesmo carro, com a mesma cor, e mesmo equipamento.

Começam do zero, portanto tem que fazer apostas, como no design, produto, qualidade, etc, tem que fazer a diferença no mercado, um splash, como em tempos, por exemplo a Honda fez, com motas de qualidade, fiáveis, e avançadas, que em parte, contribuiu para a ruína do império Inglês de motos!!

Isto são oportunidades, acompanhadas com risco! Eu gosto disso, eu admiro isso, e se os velhos gigantes, não arriscam e não prestam atenção, poderão ver o seu mercado encolher.

Tudo isto para dizer o que?
Não se prendam a mentalidades, a ideias de outrora, tudo muda, constantemente. Não devemos lealdade a nenhuma imprensa ou marca, devemos lealdade a nós e a nossa vida, e portanto como a vida já é lixada como é, vejam o que gostam, o que podem adquirir, o que acham interessante! Leiam, investiguem, pesquisem, analisem o risco, analisem o investimento, e decidam!

Hoje em dia temos que ver o que é melhor para nós, e avaliar os riscos que estamos dispostos a correr.


Não somos ovelhas, não temos que ser iguais, gozem a vida, ela é curta e passa rápido.
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#2

Basicamente hoje em dia o que conta é lucro e margem, tudo sofre com isso, e as marcas e empresas tem que mudar, para manter as baleias gordas e contentes, manter estruturas que nessa grandes e velhas empresas se tornaram inchadas e obesas!

A qualidade sofre, o suporte pós venda sofre, e como tal não nos podemos prender a ideias que em tempos essas empresas encarnaram, que foram deturpadas ou simplesmente já não são válidas!

Não precisam de criar uma imagem, ela já existe, por vezes a décadas, só precisam de a manter, mesmo que para isso ofereçam o mínimo possível, ou que cubram o produto com nostalgia.

Nas novas que surgem, as margens serão mais curtas, e a qualidade pode não ser a mesma, e sempre terá um risco mais elevado, que nos pode causar dissabores, é certo, mas para se manter a tona, tem que se esforçar, esforços esses que poderão não ser prioridade para empresas já existentes e com nomes sonantes.

Agora já chega, vou beber um café.
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#3

Existe aí um componente que me parece ter escapado: a informação.

Hoje em dia encontramos muita informação. E muita partilha de pessoal, de casos que acontecem a um individuo. Casos esses que agora se dispersam muito rapidamente devido à internet.

Um outro fator que devemos ter em conta é o volume. I.e. Quando há 20 anos um sucesso de vendas representava num determinado mercado e segmento (p.e.) 10000 unidades, hoje em dia 10000 unidades não é nada. E quanto mais se fabrica mais casos de falha de controle existem e consequentemente mais queixas. 0,1% de queixas há 10 anos eram 10 casos. hoje talvez sema 200 casos e todos com acesso à internet a fazerem reviews.

E juntando as duas... fica a parecer que é um problema crónico os quadros das MTs. Mas será que é mesmo assim?! Ou será porque hoje em dia com recurso ao crédito vende-se mais. Com a internet, difundem-se mais os problemas.

Quanto às motos "velhas".... falamos bem, claro! Porque falamos das que ainda cá andam passados 20, 30, 40 ou mais anos! E se chegam aqui, são de qualidade, claro!

MAS a minha percepção é de que os materiais empregues e o processo no tratamento dos mesmos parece de qualidade inferior. A causa não sei. Mas não deve ser da tecnologia... diria. Deve é ser da procura pelo equilibrio custo/qualidade, em que no passado parece que era tudo desenhado com uma tolerancia maior à falha (a tal história de diametros ou espessuras menores agora que no passado, apenas para dar um exemplo).
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#4

(20-03-2026 às 15:45)cconst Escreveu:  Existe aí um componente que me parece ter escapado: a informação.

Hoje em dia encontramos muita informação. E muita partilha de pessoal, de casos que acontecem a um individuo. Casos esses que agora se dispersam muito rapidamente devido à internet.

Um outro fator que devemos ter em conta é o volume. I.e. Quando há 20 anos um sucesso de vendas representava num determinado mercado e segmento (p.e.) 10000 unidades, hoje em dia 10000 unidades não é nada. E quanto mais se fabrica mais casos de falha de controle existem e consequentemente mais queixas. 0,1% de queixas há 10 anos eram 10 casos. hoje talvez sema 200 casos e todos com acesso à internet a fazerem reviews.

E juntando as duas... fica a parecer que é um problema crónico os quadros das MTs. Mas será que é mesmo assim?! Ou será porque hoje em dia com recurso ao crédito vende-se mais. Com a internet, difundem-se mais os problemas.

Quanto às motos "velhas".... falamos bem, claro! Porque falamos das que ainda cá andam passados 20, 30, 40 ou mais anos! E se chegam aqui, são de qualidade, claro!

MAS a minha percepção é de que os materiais empregues e o processo no tratamento dos mesmos parece de qualidade inferior. A causa não sei. Mas não deve ser da tecnologia... diria. Deve é ser da procura pelo equilibrio custo/qualidade, em que no passado parece que era tudo desenhado com uma tolerancia maior à falha (a tal história de diametros ou espessuras menores agora que no passado, apenas para dar um exemplo).

Claro meu amigo, é uma ideia ou ideias expressadas de forma geral, como referi, por exemplo, antigamente não havia internet, e nesta idade da informação tudo se sabe de forma rápida, e o mau viaja mais rápido do que o bom.

A intenção era explorar a ideia que hoje e antigamente passava e temos de qualidade, e como tudo na vida vai mudando com os tempos.

No caso das quadros das MT, por exemplo, hoje os processos de fabrico são diferentes, são mais leves e supostamente mais resistentes, e margens calculadas com muita eficiência... O rachar dos quadros, pelo que percebo mais vezes é resultado da aplicação errada dos chamados "cogumelos", por exemplo do que a construção da moto ou do quadro em si.

Hoje em dia existem listas que devem ser respeitadas, segundo as marcas, para até os apertos de parafusos na moto. Ora, pelo que entendo, existe também um limite adequado para aplicação desses cogumelos, da força de aperto, que quando aplicados incorretamente, criam uma força exagerada em pontos do quadro que não devia de existir, e que, segundo dizem faz o quadro rachar.

Mas serão todos resultado disso? No processo de fabricação os engenheiros, trabalham com que margens, ou que margens são aceites? E quando elas entram em confronto com os custos de produção? E aí, o que é aceitável para o consumidor, que percentagem é aceite de perdas?

KTM e as árvores de came feitas de queijo, isso foi o que? E o que fizeram eles aos consumidores, antes de finalmente assumirem a porcaria que fizeram?

Relativamente ao volume etc, sim, bastante maior hoje, mas também é verdade que antigamente se produziam mais modelos, não em volume, mas em tipo, ainda me recordo da lista de motos da Honda na antiga Motociclismo, eles tinham para aí, contando com as scooters, uns 50 modelos diferentes.

Sim o volume é muito maior, mas com o volume também crescem e se desenvolvem os processos de fabrico, mais eficientes, mais rápidos, que evoluem de maos dadas com o desenvolvimento tecnológico.

Ora mais volume, mais tecnologia e logo mais eficiência... O problemas deveriam ou deverão ser menores, mas com o aumento de volume, pode não ficar essa ideia... No entanto, recalls são cada vez maiores, cada vez mais problemas, sim com a internet sabe-se tudo, mas se no passado não havia internet, havia revistas da especialidade e as coisas acabavam por se saber...

Basicamente hoje é tudo feito com limites muito apertados, valores apertados, no entanto, os lá de cima ganham cada vez mais!

A qualidade já não é importante, ou melhor, o balanço entre perdas, clientes insatisfeitos, ma publicidade etc, com gastos e lucros e a satisfação dos investidores, esse balanço é que importa. Em tempos áureos, não era tanto assim, pelo menos ficamos com essa ideia, havia uma espécie de cuidado com a marca ou empresa.

Clientes se queixam a Tesla que não conseguem abrir os carros, pois os puxadores em ambientes mais frios não funcionam corretamente... O CEO ri-se e goza com esses clientes, na internet. Antigamente era impensável.

Lá está, os tempos mudam, e como tudo, as percepções também, se calhar, a minha percepção está completamente errada, e sempre foi assim?

Tudo anda a mudar, talvez demasiado rápido.
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#5

Uma coisa que passa no geral em quase tudo o que se compra, o processo de testes é bastante mais reduzido. O que acaba por fazer com que quase tudo o que sai novo tem bastantes problemas. Já antes passava, mas agora pior. E todas ou a maioria delas são resolvidas no segundo de produção... A necessidade de ter coisas novas com muita frequência, faz com que tudo seja mais apressado.
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