HONDA CB 350 FOUR - História
#1

Para perceber o surgimento deste modelo, é preciso ter em conta o percurso do próprio Presidente e fundador da Honda, Soichiro Honda.

Soichiro foi, em jovem, um piloto de automóveis de sucesso, mas viu essa parte da sua vida interrompida quando teve um acidente grave sobre a linha da meta numa prova em 1936.
Nunca se esqueceu dos seus tempos como piloto, mas antes de, como Presidente, decidir entrar em campeonatos de corrida com a Honda, preferiu reforçar os alicerces da empresa e, cumprido esse objectivo, reforçar a imagem da companhia através do desporto motorizado.

Foi ele quem decidiu que a Honda iria participar em corridas de motas depois de visitar a Ilha de Man em 1954.

Decidido a cumprir esse objectivo, deu-o a conhecer através de uma mensagem dirigida a todos os seus trabalhadores, a 20 de Março de 1954:
"My childhood dream was to be a motorsport World Champion with a machine built by myself. However, before this dream could be achieved, it was obvious that a stable enterprise with the finest precision equipment, and an excellent level of in-house design was needed. These three requirements prompted me to market a utility machine to give us the necessary foundation on which to build, and it's ironic that the time spent on this side of the business has kept me away from racing. From results witnessed at the San Paulo races, and looking calmly at what is happening in other areas of the globe, we now know what is needed to compete with the Western world.
Progress has been rapid, it has to be said, but I am still convinced that by following my long-standing concepts, we can win on the tracks, and I will not rest until we do. Everything is in place, and the time has come to challenge the West. I hereby avow my definite intention to participate in the TT races, and I proclaim with my fellow employees that I will pour in all of my energy and creative powers to win."


Qual a razão de, nessa altura, decidir focar os esforços da Honda nas corridas TT da Ilha de Man?
A corrida da Ilha de Man era a prova mais difícil de ganhar naquela época e tinha-se tornado no símbolo da própria essência do desporto.
De forma mais directa, Soichiro afirmou que "apenas ganhando na Ilha de Man TT poderemos abrir o nosso caminho em direcção a nos tornarmos uma empresa mundial e vendermos o nosso produto internacionalmente".

O desenvolvimento da mota para a corrida de Man sofria de avanços e recuos quando, em Setembro de 1958, a equipa de desenvolvimento teve acesso a uma F.B. Mondial de 125 cc de 1957, campeã mundial de 125 cc. desse ano, que fora comprada por Soichiro ao próprio Presidente da F.B Mondial, o conde Giuseppe Boselli (F.B. - Fratelli Boselli). Foi inspirada neste modelo (embora a Mondial tivesse um cilindro, a Honda decidiu adoptar dois cilindros) que a Honda conseguiu terminar não um, mas dois modelos, o RC141 e o RC142, decidindo levar os dois à prova.

A primeira participação da Honda na Ilha de Mann aconteceu em 1959, na corrida de 125 cc. Todos os pilotos japoneses da marca terminaram a corrida (em 6º, 7º, 8º e 11º lugares), tendo a Honda ganho o prémio de construtor. Quase nenhum deles, à época, tinha treinado ou corrido em piso asfaltado como o que havia em Man.
Não por mera coincidência, foi nesse ano de 1959 que a Honda se tornou a maior construtora Mundial de motociclos e que se instalou nos Estados Unidos, em Los Angeles.

F.B. Mondial Bialbero de 125 cc - campeã do Mundo de 125cc em 1957
[Imagem: zEFjkEb.jpg]

Honda RC141 125cc de 1959
[Imagem: QoSHH8N.jpg]

Honda RC142 125cc de 1959
[Imagem: HBj5OQQ.jpg]

Das motas de corridas, aquela de que Soichiro mais gostava era a 350cc conduzida pelos pilotos Jim Redman e Mike Hailwood, com grande sucesso (vitórias de Redman em 1963, 1964 e 1965 e vitórias de Hailwood em 500 cc em 1966 e 1967). Já antes, em 1961, Hailwood tinha entrado para a história quando se tornou o primeiro piloto a ganhar 3 corridas na Ilha de Man numa semana (125cc e 250cc em Honda e 500cc numa Norton).
Soichiro achava que a 350cc era a máquina perfeita de corrida, com uma combinação imbatível de baixo peso, altas rotações, potência e binário.

Em 1972, Soichiro Honda ainda tomava parte activa dos destinos da Honda. Estava envolvido no processo de tomada de decisões de engenharia e marketing. E era adorado por todo o staff da Honda, sendo muito influente no seio da empresa.
A partir daí foi um pequeno passo até se decidir partir para a produção em massa de uma 350 Four.
A Honda deu um “tiro no pé” com o lançamento da CB 350 Four em 1972 porque a marca já havia lançado, poucos anos antes, a CB 350 Twin, que era um grande sucesso de vendas e tinha uma potência ligeiramente superior (mais 2 cv).
A Twin era a mota mais vendida da Honda nos Estados Unidos, sendo fácil de conduzir, muito fiável, barata e de simples manutenção. Era ainda mais leve do que a 350 Four e partilhava muitos componentes com a versão de 250 cc.

Honda CB 350 de 1968
[Imagem: PBnFVYO.jpg]

Já a 350 Four não beneficiava dessa partilha de componentes com outros modelos, e o custo de produção do motor era igualmente mais caro do que a Twin.
Por outro lado, a 350 Four era considerada a mota mais civilizada do seu tempo. Tinha um trabalhar muito suave e progressivo até à redline de 10.000rpm. E era mais sofisticada.
Contudo, os motociclistas da época procuravam a mota mais rápida pelo preço mais barato, pelo que a 350 Four apenas esteve em produção entre 1972 e 1974 (em 1974 passou a chamar-se F1, embora sem alterações).
Hoje em dia, as posições inverteram-se, e a relativa raridade da Four face à Twin tem tornado a primeira mais apetecível no mercado das motas clássicas.

Honda CB 350 Four
[Imagem: ehwKqEV.jpg]

Para se sentir todo o prazer de condução deste modelo é preciso fazer uso das altas rotações. A mota ganha vida a partir das 5.000rpm. A redline é, como se disse, às 10.000rpm, sendo este um modelo extremamente fiável a altas rotações. A 100 km/hora anda-se por volta das 6.000 rpm.
A Honda CB 350 Four era equipada com um propulsor quadricilíndrico OHC de 347cm3, de 4 tempos, alimentado por 4 carburadores Keihin Ø20mm.
Apesar de ser uma genuína "F", é do tipo “K”, ou seja, com os quatro escapes separados, dois de cada lado.

[Imagem: YV14yce.jpg]

Características:

Motor: 347cc SOHC transversal-quatro cilindros em linha, 34 cv@ 10.000 rpm
Velocidade Máxima estimada: 160 km/h
Carburação: 4 carburadores Keihin Ø20mm
Transmissão: 5 velocidades, por corrente
Quadro: em berço de aço
Suspensão: Dianteira -Forquilha telescópica; Traseira - amortecedores duplos ajustáveis em pré-carga
Travões: Disco à frente de 152 milímetros e tambor traseiro
Pneus: 18 polegadas frente e traseiro
Peso (seco): 169,2 kg
Altura do assento: 787 milímetros
Capacidade de combustível: 12,1 litros

Honda CX 400 '83 Eurosport
Responder
#2

thumbsup thumbsup
Excelente tópico clap
Responder
#3

Um tópico há muito aguardado, vou ler com atenção thumbsup

[Imagem: SM4eYt9.png]
Responder
#4


Honda CX 400 '83 Eurosport
Responder
#5

1961 - ano em que a Honda ganhou "tudo" na Ilha de Man


Honda CX 400 '83 Eurosport
Responder
#6

Muito bom tópico! thumbsup
Responder
#7

Mais um tópico muito interessante Magjet! thumbsup 

Obrigado pelo teu contributo.


Responder
#8

Que ranhoseira de trópico!
Isso de falar de motos avozinhas é muito de quem veste camisas de flanela e tal....

Mas prontos,  como tu a já a viste em ceroulão, percebo a tua nostalgia e o encanto que sentes por essa Asinha de Franga que já deve umas quantas luas ao junkyard e tal...

Tu continua assim,  que o pessoal necessita de alguém em quem descargar o fel, mas se, num futuro não muito longínquo, pagares o imposto revolucionário até sou gajo para ser mais meiguinho!  rolleyes

I just don't run with the crowd!

www.loneriderendlessroad.com
Responder
#9

Obrigado pelos vossos comentários!  thumbsup

Lone, estou tentado a pagar o imposto revolucionário... smile

Em relação à avozinha, é verdade que o é, pois afinal se formos a ver bem este modelo tem 44 anos!
No entanto, faz parte da história das motas, juntamente com a 750 Four, por aquilo esta iniciou, que foi uma autêntica ®evolução que trouxe as duas rodas para o patamar de modernidade actual.

É uma mota lenta para os padrões de hoje em dia, embora com praticamente metade da cilindrada tenha a mesma velocidade de ponta que uma Ducati Monster 600 de 1999.
E não trava muito bem.
Mas é uma mota fiável que se conduz de uma forma aproximada à de uma moderna do mesmo género, e essa condução dá-me imenso gozo!

Honda CX 400 '83 Eurosport
Responder
#10

Tem que se perceber estas moto desta época... e conduzi-las de acordo.

[Imagem: SM4eYt9.png]
Responder




Utilizadores a ver este tópico: 1 Visitante(s)