11-02-2019 às 18:30
(11-02-2019 às 17:21)pareias Escreveu: Esta questão das ajudas, tal como as caixas automáticas nas NC, para mim suscita-me recordações.
Sou do tempo em que se criticava o ABS, que tinha aparecido nos modelos "K" da BMW, tal como o "liquid-cooled", uma desvirtuação da simplicidade das 2 rodas.
Depois foram os motores a injecção que "mataram a alma" dos modelos a carburador. Por aí fora.
Nem todas as novidades ou sistemas revolucionários foram bem sucedidos, mas a tendência é clara.
Podemos tentar resistir, mas é um esforço inútil. A Tracer não tem IMU nem caixa automática. É uma pena.
Quanto aos recursos tecnológicos de que as motos actuais fazem uso, é a evolução normal e natural. Não vejo isso como negativo. O mesmo se passa em tantas outros ramos industriais, sejam no campo automóvel, audiovisual, informático, etc.
Nenhum de nós (tirando o Pires) usa ainda um 486SX, um tijolo de 1 kg para telefonar ou vai dar ao "kick" cada vez que quer meter a mota a trabalhar.
Até na cozinha já não há quem não dispense uma Bimby!
Compete a cada um saber o que quer... e do que gosta. Essa questão de se ser melhor ou pior condutor, por causa da ajudas, é do mais relativo e dúbio. Tal como afirmar que se morre menos por causa dessas mesmas ajudas electrónicas.
Mas claro, a postura de "velho do restelo" dá um bocado de proficiência à coisa neste tipo de discussões.
Já contei esta estória algures aqui no forúm... Nunca mais esqueço de uma coisa que ouvi, estávamos em 1988, tinha eu uns 12 ou 13 anitos e o meu pai tinha acabado de comprar um Ford Escort 1.6i Ghia, que era o modelo mais "luxuoso" da gama Escort (havia depois ainda os desportivos XR3i e RS Turbo), com vidros eléctricos, trancagem centralizada c/ comando, tecto de abrir eléctrico, catalisador ou direcção assistida (coisas hoje corriqueiríssimas e algumas até obrigatórias, mas que há 30 anos eram quase opulência).
Claro que o meu pai, a mostrar o carro novo aos vizinhos, um deles, o Sr. Pinto, taxista de profissão, possivelmente roído por uma pontinha de escárnio e maldizer, afirma «- agora esta treta dos carros, é vidros eléctricos, direcção assistida e sei lá que mais! Quem não consegue virar um volante, não pode conduzir... Nunca na vida vou querer um carro com direcção assistida ou alguma dessas mariquices.»
Entretanto algum tempo depois, mudámos de casa... e o destino quis que nunca mais me cruzasse com o Sr. Pinto.
Não sei sequer se ainda é vivo (e a sê-lo já será bem velhote) e sequer se conduz (o que duvido)?! Mas se sim... tenho curiosidade de saber que carros ele teve desde então?!

