06-12-2018 às 16:16
(06-12-2018 às 13:58)carlos-kb Escreveu: Na essência e acerca dos pontos de protesto referenciados, tenho a dizer:
- o facto das motos pagarem o mesmo que os automóveis nas portagens;
Completamente de acordo. Não faz nem tem qualquer sentido que uma moto, pelas suas características, peso, dimensões, capacidade e nº ocupantes, pagar o mesmo que um veículo que por exemplo, transporte 7 passageiros, como um monovolume (ao qual se abriu a excepção, por interesses económicos e favores à AutoEuropa, de estar incluido na classe 1). Os 30% de desconto com a VV é um rebuçadinho amargo e que serve para calar a boca, mas que no fundo não traduz a justiça monetária do pagamento da diferença entre uma moto e um ligeiro de classe 1... e não é extensível a 100% das vias portajadas.
Se alguém quiser ter a preocupação de ir atrás disto, e uma vez que é público, poderão aceder aos relatórios de contas das concessionárias onde poderão verificar que só uma muito pequena parte é destinada a manutenção da via.
Mais, ainda afecta a esta mesma manutenção existe uma componente grande que se dilui por igual: Apoio e sinalização em caso de avaria / acidente, carrinhas de verificação de via, limpeza (animais mortos, carcaças pneus...)
E quem usufrui destas 'boas condições' é igual para quem está de mota e de carro e custa igual.
Administrativamente o custo também é exactamente o mesmo para um carro ou mota. O ticket é igual, o tempo e MO para pagar igual, as cartas para casa igual, a lista incobráveis é igual e transversal a todas as classes...
Por curiosidade, a grande componente do encaminhamento da receita é para a banca, afecto a financiamentos aquando a construção. E que serve a todos igual, neste caso a possibilidade de termos mais e melhores vias.
A 'estoria' de uma mota causa menos desgaste não passa disso mesmo. Nasce de uma ideia de quem não faz a mínima ideia do que são as contas de uma concessionária e que ganha expressão em conversa de café ao ponto do mito passar a verdade absoluta.
Por mim... e se há coisa que acho mal com as auto estradas não é a definição das classes.
Aborrece-me mais o custo por km de certas vias sem alternativas, o facto de termos os pórticos todos 'mal semeados' e o abandono de manutenção de estradas municipais. Aborrece-me a dificuldade de proprietários com carros de matricula estrangeira terem acesso a informação relativamente aos pagamentos e a maneira como se procede o pagamento dos mesmos (turistas). Aborrece-me cada vez mais vias serem portajadas. Aborrece-me o facto de em algumas localidades terem destruído bons acessos e a concepção das vias ''empurrarem'' as pessoas para vias com pórticos de onde já não conseguem sair, má sinalização. Aborrece-me a Brisa mes sim, mes não, meter mais umas lecas na factura por onde nunca passei e obrigar-me a reclamar e a ter de pagar à frente os enganos deles etc.
(06-12-2018 às 13:58)carlos-kb Escreveu: - os valores e formulas de calculo do imposto único circulação (IUC);
Concordo que a tabela de valores de IUC para motos está obsoleta (tem mais de 25 anos), está estagnada (só altera valores em função da inflação, mas omite a actualização dos escalões por antiguidade) e está desfasada da realidade actual do mercado e parque motociclístico. No entanto, parem de dizer que mesmo uma moto de escalão mais alto é um veículo de "luxo"... pois se assim se pode considerar, comparando com os automóveis ligeiros pré 07/2007, para os automóveis posteriores a esta data (que já são a maioria nas nossas estradas), não tem qualquer sentido. Um utilitário de 4 rodas, de baixa cilindrada paga o mesmo ou mais que uma moto no escalão mais alto.
Também desconfio que quando se mexer na coisa, não será para facilitar (a velha história de dar com uma mão mas tirar com a outra)... e certamente as motos mais recentes e de cilindradas maiores levarão um exponencial aumento de IUC, em detrimento da actualização dos valores para as motos mais antigas (ou eventualmente as respectivas isenções).
E uma carrinha BMW 530D de 2008 que custa no mercado de usados metade de uma GS1200 nova?
E que paga 4x mais?
As injustiças existem, vão existir sempre. O limite tem de ser definido de alguma maneira, e o que está parece-me adequado. As motas pequenas nem sequer pagam...
(06-12-2018 às 13:58)carlos-kb Escreveu: - a politica de prevenção rodoviária que só se traduz na caça à multa;
Sobre este tema, acho que há aqui uma clara incongruência.
Claro que há excesso de zelo das autoridades, em determinadas situações, mas que acabam a ser esporádicas e isoladas. Aqui a coisa passa também por entender a postura do "quem não deve , não teme".
Todos nós sabemos quando infringimos, porque infringimos e ao que estamos sujeitos. Achar que a punição é caça, quando a coisa passa também pelo respeito das normas vigentes, é assunto do foro individual de cada um. E subverter essa questão, acho pouco sustentado ou razoável.
Agora, se concordo com melhor prevenção, formação e educação, com vista a melhor estatísticas negativas? Claro que sim. A par da criação de mais e melhores condições de segurança nas vias, sinalização, etc... Mas que isso não seja o mote para reclamar das muitas punições por autêntico e deliberado desrespeito às normas vigentes.
Eu também infrinjo (e não é pouco)... mas sei quais as consequências que daí podem advir.
Mais do que incongruência, é a maneira como se colocam os temas. ''Caça à multa'' é exactamente o que?
Contra ordenações mal aplicadas? Então se alguém for injustamente multado cumpre a cada um individualmente fazer fé da sua inocência e expor o assunto e que eu saiba o sistema prevê contestação por essa mesma razão.

