TRE - Timing Retard Eliminator
#1

Fez recentemente um ano que comprei a minha "mijona" e posso dizer que até agora não me arrependi de o ter feito. Foi uma compra improvável e aconteceu meio que de improviso, mas desde a primeira vez que experimentei a mota, surpreendeu-me pela positiva em várias ocasiões. Precisava de algum carinho já que tinha sido claramente negligenciada ao longo dos anos. Tenho na medida do possível feito a devida e necessária manutenção, reparações e melhorias que vou conseguindo.

[Imagem: 2020-02-08%2017.54.37.jpg?raw=1]

Uma caraterística que não me agradava muito e que ainda não tinha conseguido solucionar, era uma ocasional hesitação em baixa rotação, que muitas vezes tornava desconfortável o andamento em modo passeio, em regimes entre as 2/3k RPM. Fui falando com malta sobre o tema, fui lendo umas coisas, e fui experimentando algumas intervenções com o meu mecânico para melhorar a situação.

A primeira coisa que fiz logo na primeira manutenção foi uma limpeza do depósito e filtro do combustível, já que dada a idade era quase certo que lixo ou até alguma ferrugem poderiam morar por lá. Velas novas (e já agora com a especificação correta). Teve também direito a uma limpeza de injetores com ultrasons. De referir ainda que os mapas da injeção foram todos repostos para valores de origem (não fosse o anterior proprietário ter andado a inventar).

Feito o básico, o comportamento persistia. Comecei a explorar então outras sugestões que ia recebendo e lendo. Uma potencial culpada seria a bomba de combustível. A primeira geração da Hayabusa tem uma bomba interna no depósito que tinha uma tendência para se começar a desfazer por dentro e a causar sintomas semelhantes (nas gerações seguintes esta bomba interna seria substituída por uma bomba externa e sem este tipo de tendência autodestrutiva). Não seria ainda assim o meu caso, já que a minha debitava a pressão certa, e se falhasse o mais provável seria notar-se em altas, não baixas.

[Imagem: pump.jpg?raw=1]

Havia também outras possíveis causas a nível do sistema elétrico, que foram sendo verificadas. Alguns terminais meio derretidos que foram trocados. Um dos cachimbos não estava em condições, e foi também substituído. Também se fez um teste com estatoras de outra mota, sem surtir o efeito desejado.

Mais recentemente, surgiu a possibilidade de ser o TPS (Throttle Position Sensor), que não raras vezes nestas motas também dá o peido mestre a partir de uma certa idade, quando cria uma espécie de "calo" em determinada posição de acelerador.

[Imagem: tps_sensor.jpg?raw=1]

Pelo sim pelo não troquei, mas não surtiu efeito. Cheguei a colocar a mota em "dealer mode" (surge um indicador no LCD que indica o ajuste do TPS) e verifiquei que estava a funcionar certinho direitinho, mas sem alteração no comportamento da mota.

[Imagem: dealer_mode.jpg?raw=1]

Por fim, e também na sequência de alguma literatura online, descobri uma discussão controversa, em que duas correntes de pensamento argumentavam a favor e contra esta cena chamada "TRE", como solução para este problema. Essencialmente uma das correntes é a das pessoas que, nunca tendo experimentado um TRE, dizem que não faz sentido que esta peça resolva este tipo de situação, e a outra das correntes é a das pessoas que compraram um e que ficaram satisfeitas.

Passo assim a descrever do que se trata um TRE (Timing Retard Eliminator):

Modo Wikipedia ON.

Citar:O TRE é um dispositivo que melhora a resposta do acelerador nas primeiras 4 mudanças de modelos desportivos com EFI. Esta melhoria é alcançada fazendo um "bypass" ao sensor de mudança engrenada, permitindo que seja aplicado um mapa de ignição mais otimizado em todas as mudanças da mota.

Basicamente, o fabricante produz um mapa de ignição distinto para cada uma das mudanças, só que isso pode por vezes limitar a potência e suavidade da mota na primeira metade do acelerador nas mudanças mais baixas.

Não é suposto o TRE dar mais potência nem nada que se pareça. O objetivo é simplesmente dar um comportamento mais suave nas mudanças mais baixas, e permitir assim uma condução mais agradável e uma aceleração mais previsível.

By the way, no caso particular da Hayabusa percebi que havia quem comprasse isto não tanto pelo comportamento em baixas, mas porque nas motas da segunda geração e posteriores, removia a limitação dos 300 kms/h em 6ª. No meu caso não é aplicável porque a primeira geração não tem esse limite de origem.

Modo Wikipedia OFF.

Posto isto, fui dar uma vista de olhos no eBay, e encontrei 3 tipos de equipamento:
  • TRE: versão mais simples deste produto, que pouco mais é do que uma resistência com uns "pozinhos", e que tem a desvantagem de fazer a mota pensar SEMPRE que está em 5ª, até mesmo quando está em ponto morto. Em ponto morto o trabalhar pode ficar meio esquisito segundo os relatos, e o indicador de mudança (para quem o tenha) mostra sempre a 5ª.
  • S-TRE (Smart TRE): versão menos básica em que o neutral é tratado como tal, evitando assim que o trabalhar em ponto morto fique diferente do original e mostrando o respetivo indicador de mudança... apenas em neutral.
  • X-TRE (Advanced TRE): versão mais elaborada do TRE em que já não existe o tema do indicador de mudança engrenada. Algumas destas versões do TRE incluem adicionalmente um interruptor que permite ligar/desligar o funcionamento do TRE de forma simples.

No meu caso, e como a mota não tem indicador de mudança, fiquei-me pelo S-TRE. Pesquisa para cá e para lá no eBay, e mandei vir uma coisa destas por 30 libras. Se em vez de UK mandasse vir da China, provavelmente gastava metade e demorava o dobro do tempo a chegar. Mas optei por uma versão que tinha feedback positivo para não arriscar muito.

Já tinha o TRE na gaveta há algum tempo e finalmente lá me decidi a mais uma sessão de DYI. Como sabem sou um total nabo no que diz respeito a intervenções na mota (outras que não reparações mal amanhadas na berma da estrada ou colar "tóclantes"). Ainda assim resolvi arriscar já que o procedimento não era particularmente complexo. Aqui fica a descrição.

1. Desembalar o material cool :

[Imagem: 2020-02-21%2011.48.03.jpg?raw=1]

2. Levantar o depósito para chegar ao conector onde se deve ligar o TRE:

[Imagem: 2020-02-28%2023.12.49.jpg?raw=1]

3. Identificar um conector de forma triangular, que deve ser desligado:

[Imagem: 2020-02-28%2023.12.54.jpg?raw=1]

4. Colocar o TRE entre os dois terminais previamente desligados:

[Imagem: 2020-02-28%2023.14.00.jpg?raw=1]

5. Ligar a mota e verificar se está tudo a funcionar corretamente:

[Imagem: 2020-02-28%2023.14.38.jpg?raw=1]

Ora conforme podem constatar, algo não correu de feição. Com o TRE aplicado, ao ligar a mota, acendia-se de imediato a luz de FI que indica que algo não está bem. Segui as instruções que acompanhavam a peça, limpei os conectores, etc., e nada... Retirei o TRE e voltei a montar tudo conforme estava. censored

[Imagem: 2020-02-28%2023.13.11.jpg?raw=1]

Ainda a ferver de azia pelo desperdício de 30 libras, sentei-me ao computador e descarreguei a minha raiva na review mais negativa que consegui escrever do produto, no eBay. No próprio dia recebi um e-mail extremamente cordial, redigido em português, no qual o vendedor se dispunha a ajudar, pedindo inclusive para lhe enviar fotos. Nesse mesmo e-mail, lançou logo um alerta para eu garantir que tinha ligado o TRE no conector certo, já que esta mota tem dois conectores com o mesmo formato, um preto e um branco... era para ligar no branco. troll

Ainda a digerir a vergonha, lá voltei à garagem para mais uma sessão de DYI, e com alguma dificuldade consegui puxar as entranhas debaixo do depósito e descobrir o conector correto. Nova tentativa de aplicação do TRE, et voilá! Nada de luz de FI acesa, tudo normal. Era tempo de ir experimentar a mota.

Posso dizer que já passou algum tempo desde esta intervenção, e até agora está top! Nunca mais houve hesitações em baixa rotação, consigo circular a velocidades constantes a 2k RPM sem ir aos saltinhos, e a suavidade e progressividade da resposta do acelerador desde cá de baixo até lá acima é qualquer coisa de espetacular. nice

E pronto, é isto, resolvi partilhar. Não é um Power Commander ou uma reprogramação personalizada de mapas nem nada dessas cenas mais elaboradas, mas por uma pequena fração do dinheiro é algo que dá um comportamento muito diferente (para melhor) a uma mota, e que até um nabo como eu consegue montar... à segunda tentativa. lol
Responder
#2

Sim senhoras... Também gostava de ter um Retard Eliminator para usar de vez em quando. lol

Numa outra nota, 340km/h no mostrador... what

[Imagem: images?q=tbn:ANd9GcSBKDKs6yFSsA6jXIrK7LO...Fbu3pya-zl]
Responder
#3

A pergunta que se tem que fazer agora é...

Mantiveste a review ou não Marco!?
Responder
#4

Só uma graçola politicamente incorrecta: "Retard eliminator", pode ser traduzido como "Eliminador de atrasados mentais"

"Retard" -> https://dictionary.cambridge.org/diction...ese/retard
Responder
#5

(04-03-2020 às 07:57)LoneRider Escreveu:  A pergunta que se tem que fazer agora é...

Mantiveste a review ou não Marco!?

Mudei logo a review e respondi ao vendedor a pedir desculpa, enquanto digeria a vergonha por ser um nabo dos mais capazes... lol
Responder
#6

Pra mim fodeu. É preciso levantar o depósito, é mecânica a mais para os meus conhecimentos lol
Responder
#7

A Haybusa, à semelhança de tantas outras motos de binário massivo e num tempo em que ainda não era recorrente o sistema electrónico de controlo de tracção, usavam "limitadores" de binário, de modo que em baixas a sua entrega não fosse tão explosiva e colocasse em causa a segurança.

No fundo, o que esse pequeno gingarelho faz é "enganar" a mota, dizendo-lhe que vai a uma mudança mais alta, aonde esse restrictor de binário não actua. Há parecido para a >>VFR1200F<<. O curioso é que no caso da VFR, como tem indicador de mudança engrenada, a mota nas 3 primeiras relações mostra no painel a seguinte sequência 3-N-3-3-4-5-6. Ou seja, o uqe este Bazzaz faz, é dizer à mota que vai em 3ª (mesmo que vá em 1ª ou 2ª), para que o limitador de binário não actue, ao rodar punho.
Responder
#8

(04-03-2020 às 10:25)carlos-kb Escreveu:  A Haybusa, à semelhança de tantas outras motos de binário massivo e num tempo em que ainda não era recorrente o sistema electrónico de controlo de tracção, usavam "limitadores" de binário, de modo que em baixas a sua entrega não fosse tão explosiva e colocasse em causa a segurança.

No fundo, o que esse pequeno gingarelho faz é "enganar" a mota, dizendo-lhe que vai a uma mudança mais alta, aonde esse restrictor de binário não actua. Há parecido para a >>VFR1200F<<. O curioso é que no caso da VFR, como tem indicador de mudança engrenada, a mota nas 3 primeiras relações mostra no painel a seguinte sequência 3-N-3-3-4-5-6. Ou seja, o uqe este Bazzaz faz, é dizer à mota que vai em 3ª (mesmo que vá em 1ª ou 2ª), para que o limitador de binário não actue, ao rodar punho.

Mas, pelo que entendi pela experiência de quem nunca chegou a adaptar-se devil, a experiência foi mais negativa que positiva.

Na VFR nota-se bem que esta amarrada na primeiras mudanças, mas é linear e suave.

I just don't run with the crowd!

www.loneriderendlessroad.com
Responder
#9

(04-03-2020 às 09:19)marco.clara Escreveu:  
(04-03-2020 às 07:57)LoneRider Escreveu:  A pergunta que se tem que fazer agora é...

Mantiveste a review ou não Marco!?

Mudei logo a review e respondi ao vendedor a pedir desculpa, enquanto digeria a vergonha por ser um nabo dos mais capazes... lol

Melhor ser um nabo capaz que um nabo incapaz! devil

I just don't run with the crowd!

www.loneriderendlessroad.com
Responder
#10

(04-03-2020 às 10:25)carlos-kb Escreveu:  O curioso é que no caso da VFR, como tem indicador de mudança engrenada, a mota nas 3 primeiras relações mostra no painel a seguinte sequência 3-N-3-3-4-5-6. Ou seja, o uqe este Bazzaz faz, é dizer à mota que vai em 3ª (mesmo que vá em 1ª ou 2ª), para que o limitador de binário não actue, ao rodar punho.

Na Hayabusa (versões com indicador de mudança, que não é o meu caso), acontece o mesmo. Só que em vez de dizer à mota que vai em 3a, diz que vai em 5a.
Responder




Utilizadores a ver este tópico: 1 Visitante(s)