O dia em que temi pela integridade da minha "respectiva"!
#1

Boas! Venho aqui contar uma que me aconteceu hoje....

Há uns dias fui contactado por um antigo cliente meu, no sentido de saber se eu estaria interessado num novo trabalho, para uma funcionária desse cliente. Explicou-me por alto que tinha que ver com a legalização de uma obra de alteração de uma habitação, que havia arrancado, à boa maneira portuguesa, sem qualquer tipo de comunicação prévia ou licenciamento na Câmara, e houve alguém que fez queixa, houve uma vistoria de fiscais municipais, e a obra foi ordenada parar, até se estar tudo em conformidade.

Entretanto, contactos encetados com essa cliente, que me encaminhou para falar e tratar das coisas com o marido dela. Desde sábado passado que andava pois para me encontrar com ele, para se falar melhor sobre o trabalho, honorários respectivos e fazer uma visita ao local da obra. Mas só hoje consegui, por disponibilidade minha e dele, encontrar-mo-nos ao final do dia, seriam umas 19h. Combinámos um ponto de encontro, em Vialonga (aonde se situa a habitação em obras). Lá nos encontramos, e apresentações feitas, seguimos para o local, ele no carro dele e eu atrás, na minha "Blu".

Á medida que íamos andado é que eu vi para onde nos estávamos a dirigir.... precisamente para o sítio menos recomendável na zona, conhecido como Bairro da Icesa, um bairro social construído em finais dos anos 70, para albergar os africanos e retornados vindos dos Palop, e cuja má fama deste bairro é bem conhecida nos arredores, desde há vários anos.

[Imagem: 64541758.jpg]

Apesar de conhecer esta zona há muito, nunca havia lá entrado. Estacionei ao lado do carro do cliente, e lá fui olhando de relance para o aspecto da zona, com as paredes todas grafitadas e tudo com bastante má aparência, na envolvente dos vários edifícios. Ainda deixei o alarme ligado e direcção trancada, se bem que ali dentro, de pouco valeria. Nunca tanto receio havia tido de abandonar a minha querida motinha. E por parvoíce, dado o cliente me ter dito que não havia problema (talvez lendo a minha preocupação), não lhe pus o cadeado de disco, pois supostamente a visita seria rápida.

Entrámos assim numa daquelas torres e subimos para o 6º piso. Ao que parece, a casa era do cliente, mas ele não morava lá. Tinha tido sempre aquele apartamento alugado, mas os sucessivos inquilinos, pouco dados a estimar as coisas, tinham-lhe degradado bastante a casa. E ele tinha então decido fazer obras, para depois eventualmente vender. Só que decidiram começar a partir paredes a torto e a direito para ganhar espaço e área, e o "biscateiro" que lá andou a fazer as obras, para abrir uma passagem entre a cozinha e a sala, decidiu romper uma viga (medo.... muito medo  redeye ). Claro que os vizinhos que devem ter sentido o prédio a "vibrar" com isto, acabaram por fazer queixa, resultando na visita dos fiscais camarários.

Voltando à história de hoje, a visita que eu pensava fazer-se em 15 minutos, arrastou-se... Lá vimos e falámos o que tínhamos a ver e a falar. E eu só pensava na minha "menina" lá fora, à mercê de qualquer um, num bairro muito pouco recomendável. E os 40 minutos que por lá andámos, mesmo comigo a querer despachar a coisa, pareceram-me uma eternidade imensa. E nem pelas janelas dava para a ver, pois estava junto a uma fachada oposta.

Quando finalmente me vi novamente na rua, quase corri para o local aonde ela estava. Entretanto despedi-me do cliente, combinando o que se iria fazer a seguir, e ele meteu-se no carro e arrancou. E no tempo em que eu fiquei para meter a pasta numa das malas, enfiar o passa-montanhas, meter o capacete e calçar luvas, aparece-me, não percebi bem de onde, um "carocho", com bastante mau aspecto, que mete conversa comigo:
«- Ah.... isso é o quê?
- É uma 800!
- Yaaa.... pois, tá ali escrito.... e não tem "cramalheira".
- Sim, é de transmissão por correia!
- Yaaa.... isto hoje tá frio para andar nisso.
- Não faz mal.... quem corre por gosto não cansa!» (eu sempre a responder pela retranca)
E mortinho por arrancar dali, com ele ali bem ao lado, a tentar fazer conversa. E só pensava, espero que não apareçam mais dois ou três, que me apanhem com a chave na ignição.
Ainda lhe fiz sinal para ele se desviar, montei, marcha-atrás, rapidamente meti a mota a trabalhar, e mesmo a frio, arranquei dali o quanto antes, acelerador quase a fundo, até sair bem para fora daquele bairro. E só já bem longe, sentir que ela ainda estava comigo, foi um enorme alívio.

Nunca havia sentido mesmo tanto receio de ficar sem a minha querida "blu".
Ainda não sei se irei entretanto levar este trabalho adiante, mas uma coisa é certa.... voltar aquele bairro.... só de carro, mesmo.... pelo menos não chama tanto a atenção!  smile

[Imagem: zX4Kq81.png]

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#2

O rapaz só queria companhia, coitado lol

[Imagem: RwtqB8G.gif]
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#3

Devias levar a lynx contigo. Uma vez no príncipe real, fomos tomar um café e quando voltamos está um gajo com uma camisola de capuz sentado na safira. Pois antes que eu tivesse tempo de chegar ao pé dele, grita ela - mas aí a uns 10 metros ainda - "tira daí o cu que ela tem dona!".
Olhem, ficamos os dois parvos, eu e o gajo. Ele levantou-se logo, arrumou o telemóvel (quem estava do outro lado da chamada deve ter ficado a falar com o bolso), e desandou. E eu nem abri a boca, caladinho pus o capacete e arrancamos.

Por isso já sabes, se lá fores, pedes a matulona que vá contigo.
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#4

Ele queria cravar-te qualquer coisa, pois por norma associa-se a marca BMW = endinheirado lol
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#5

(03-12-2014 às 12:16)OFFICER Escreveu:  Ele queria cravar-te qualquer coisa, pois por norma associa-se a marca BMW = endinheirado  lol

Mas foi o que pensei mesmo.... que a qualquer momento sairia o "epa, e não tens aí uma moedinha ou um cigarrinho?"
Aliás, acredito que eram mesmo esses os planos. Meter conversa para depois cravar trocos ou algo.... mas eu fui rápido demais a sair dali. smile

[Imagem: zX4Kq81.png]

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#6

Txi, preconceito. Se fizessem o mesmo ali na urbanização Real Forte terias medo? :p

Lá é que mataram uma senhora por causa do carjacking (motojacking?).

Acho que podia ser só para pedir alguma coisa, ou para conversar. Podia ser para roubar a mota e os rins... Fizeste bem lol .
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#7

O Saphyr conta esta história, mas ainda no outro dia, estávamos a caminho de um café a pé quando lhe deu uma "sensação" que algo estava mal. Disse-me que lhe veio a imagem da Safira a ser enfiada numa carrinha.
Eu que estava estourada, perguntei se ele queria que fosse com ele. Ele disse-me que eu podia ir andando para o café. Acabei por segui-lo e ele perguntou-me porquê - "pode dar jeito teres mais duas mãos para esmurrar e um capacete para esmagar na cabeca de alguém".
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#8

pois o moço só queria desabafar...

agora essa de partirem a viga thumbsdown clap haviam de ter apanhado um valente susto
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#9

(03-12-2014 às 14:08)Filipa Escreveu:  Txi, preconceito. Se fizessem o mesmo ali na urbanização Real Forte terias medo? :p

O receio maior nem foi o encontro imediato com o "carocho".... a não ser que aparecessem mais!
O problema maior foi mesmo deixar a moto sozinha, na rua, e apenas com tranca de direcção e alarme, num bairro cuja fama não é a melhor, durante cerca de 40 minutos.
Claro que para roubar, acontece em qualquer lado.... e muitas das vezes estas zonas problemáticas até são as mais seguras, neste aspecto.

(03-12-2014 às 14:08)Filipa Escreveu:  Lá é que mataram uma senhora por causa do carjacking (motojacking?).

O meu patrão levou um tiro num braço (e teve sorte de não lhe terem limpo o "sarampo", para lhe roubarem por car-jacking, o MB E250 dele. Isto mesmo em frente a casa dele, um bairro de moradias de pessoal da média alta, no Concelho de Loures.

(03-12-2014 às 14:08)Filipa Escreveu:  Acho que podia ser só para pedir alguma coisa, ou para conversar. Podia ser para roubar a mota e os rins... Fizeste bem lol .

Ou simplesmente por precisar de companhia....  lol Mas nunca fiando, o melhor que fiz foi mesmo desalvorar dali bem rápido!


Lynx Escreveu:Acabei por segui-lo e ele perguntou-me porquê - "pode dar jeito teres mais duas mãos para esmurrar e um capacete para esmagar na cabeca de alguém".
Costuma-se dizer que para ajudar a "carregar", todas as mãos servem!

(03-12-2014 às 14:12)FulioJaria Escreveu:  agora essa de partirem a viga  thumbsdown  clap haviam de ter apanhado um valente susto

Especialmente os vizinhos.... romper uma armadura de um vigamento, imagino o que aquelas paredes não devem ter "vibrado". Natural que os vizinhos tivessem feito queixa.

[Imagem: zX4Kq81.png]

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#10

O que é um carocho? (É um guna??)

Aposto que te deves ter borrado todo...Devias ter ido no carro do teu cliente combinavam o sitio deixavas lá a mota e ias com ele. thumbsup

mas antes a mota que te mandarem uma facada ou coisa do tipo..

O maçarico  shy
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