02-12-2014 às 23:56
Boas! Venho aqui contar uma que me aconteceu hoje....
Há uns dias fui contactado por um antigo cliente meu, no sentido de saber se eu estaria interessado num novo trabalho, para uma funcionária desse cliente. Explicou-me por alto que tinha que ver com a legalização de uma obra de alteração de uma habitação, que havia arrancado, à boa maneira portuguesa, sem qualquer tipo de comunicação prévia ou licenciamento na Câmara, e houve alguém que fez queixa, houve uma vistoria de fiscais municipais, e a obra foi ordenada parar, até se estar tudo em conformidade.
Entretanto, contactos encetados com essa cliente, que me encaminhou para falar e tratar das coisas com o marido dela. Desde sábado passado que andava pois para me encontrar com ele, para se falar melhor sobre o trabalho, honorários respectivos e fazer uma visita ao local da obra. Mas só hoje consegui, por disponibilidade minha e dele, encontrar-mo-nos ao final do dia, seriam umas 19h. Combinámos um ponto de encontro, em Vialonga (aonde se situa a habitação em obras). Lá nos encontramos, e apresentações feitas, seguimos para o local, ele no carro dele e eu atrás, na minha "Blu".
Á medida que íamos andado é que eu vi para onde nos estávamos a dirigir.... precisamente para o sítio menos recomendável na zona, conhecido como Bairro da Icesa, um bairro social construído em finais dos anos 70, para albergar os africanos e retornados vindos dos Palop, e cuja má fama deste bairro é bem conhecida nos arredores, desde há vários anos.
![[Imagem: 64541758.jpg]](https://mw2.google.com/mw-panoramio/photos/medium/64541758.jpg)
Apesar de conhecer esta zona há muito, nunca havia lá entrado. Estacionei ao lado do carro do cliente, e lá fui olhando de relance para o aspecto da zona, com as paredes todas grafitadas e tudo com bastante má aparência, na envolvente dos vários edifícios. Ainda deixei o alarme ligado e direcção trancada, se bem que ali dentro, de pouco valeria. Nunca tanto receio havia tido de abandonar a minha querida motinha. E por parvoíce, dado o cliente me ter dito que não havia problema (talvez lendo a minha preocupação), não lhe pus o cadeado de disco, pois supostamente a visita seria rápida.
Entrámos assim numa daquelas torres e subimos para o 6º piso. Ao que parece, a casa era do cliente, mas ele não morava lá. Tinha tido sempre aquele apartamento alugado, mas os sucessivos inquilinos, pouco dados a estimar as coisas, tinham-lhe degradado bastante a casa. E ele tinha então decido fazer obras, para depois eventualmente vender. Só que decidiram começar a partir paredes a torto e a direito para ganhar espaço e área, e o "biscateiro" que lá andou a fazer as obras, para abrir uma passagem entre a cozinha e a sala, decidiu romper uma viga (medo.... muito medo
). Claro que os vizinhos que devem ter sentido o prédio a "vibrar" com isto, acabaram por fazer queixa, resultando na visita dos fiscais camarários.
Voltando à história de hoje, a visita que eu pensava fazer-se em 15 minutos, arrastou-se... Lá vimos e falámos o que tínhamos a ver e a falar. E eu só pensava na minha "menina" lá fora, à mercê de qualquer um, num bairro muito pouco recomendável. E os 40 minutos que por lá andámos, mesmo comigo a querer despachar a coisa, pareceram-me uma eternidade imensa. E nem pelas janelas dava para a ver, pois estava junto a uma fachada oposta.
Quando finalmente me vi novamente na rua, quase corri para o local aonde ela estava. Entretanto despedi-me do cliente, combinando o que se iria fazer a seguir, e ele meteu-se no carro e arrancou. E no tempo em que eu fiquei para meter a pasta numa das malas, enfiar o passa-montanhas, meter o capacete e calçar luvas, aparece-me, não percebi bem de onde, um "carocho", com bastante mau aspecto, que mete conversa comigo:
«- Ah.... isso é o quê?
- É uma 800!
- Yaaa.... pois, tá ali escrito.... e não tem "cramalheira".
- Sim, é de transmissão por correia!
- Yaaa.... isto hoje tá frio para andar nisso.
- Não faz mal.... quem corre por gosto não cansa!» (eu sempre a responder pela retranca)
E mortinho por arrancar dali, com ele ali bem ao lado, a tentar fazer conversa. E só pensava, espero que não apareçam mais dois ou três, que me apanhem com a chave na ignição.
Ainda lhe fiz sinal para ele se desviar, montei, marcha-atrás, rapidamente meti a mota a trabalhar, e mesmo a frio, arranquei dali o quanto antes, acelerador quase a fundo, até sair bem para fora daquele bairro. E só já bem longe, sentir que ela ainda estava comigo, foi um enorme alívio.
Nunca havia sentido mesmo tanto receio de ficar sem a minha querida "blu".
Ainda não sei se irei entretanto levar este trabalho adiante, mas uma coisa é certa.... voltar aquele bairro.... só de carro, mesmo.... pelo menos não chama tanto a atenção!
Há uns dias fui contactado por um antigo cliente meu, no sentido de saber se eu estaria interessado num novo trabalho, para uma funcionária desse cliente. Explicou-me por alto que tinha que ver com a legalização de uma obra de alteração de uma habitação, que havia arrancado, à boa maneira portuguesa, sem qualquer tipo de comunicação prévia ou licenciamento na Câmara, e houve alguém que fez queixa, houve uma vistoria de fiscais municipais, e a obra foi ordenada parar, até se estar tudo em conformidade.
Entretanto, contactos encetados com essa cliente, que me encaminhou para falar e tratar das coisas com o marido dela. Desde sábado passado que andava pois para me encontrar com ele, para se falar melhor sobre o trabalho, honorários respectivos e fazer uma visita ao local da obra. Mas só hoje consegui, por disponibilidade minha e dele, encontrar-mo-nos ao final do dia, seriam umas 19h. Combinámos um ponto de encontro, em Vialonga (aonde se situa a habitação em obras). Lá nos encontramos, e apresentações feitas, seguimos para o local, ele no carro dele e eu atrás, na minha "Blu".
Á medida que íamos andado é que eu vi para onde nos estávamos a dirigir.... precisamente para o sítio menos recomendável na zona, conhecido como Bairro da Icesa, um bairro social construído em finais dos anos 70, para albergar os africanos e retornados vindos dos Palop, e cuja má fama deste bairro é bem conhecida nos arredores, desde há vários anos.
![[Imagem: 64541758.jpg]](https://mw2.google.com/mw-panoramio/photos/medium/64541758.jpg)
Apesar de conhecer esta zona há muito, nunca havia lá entrado. Estacionei ao lado do carro do cliente, e lá fui olhando de relance para o aspecto da zona, com as paredes todas grafitadas e tudo com bastante má aparência, na envolvente dos vários edifícios. Ainda deixei o alarme ligado e direcção trancada, se bem que ali dentro, de pouco valeria. Nunca tanto receio havia tido de abandonar a minha querida motinha. E por parvoíce, dado o cliente me ter dito que não havia problema (talvez lendo a minha preocupação), não lhe pus o cadeado de disco, pois supostamente a visita seria rápida.
Entrámos assim numa daquelas torres e subimos para o 6º piso. Ao que parece, a casa era do cliente, mas ele não morava lá. Tinha tido sempre aquele apartamento alugado, mas os sucessivos inquilinos, pouco dados a estimar as coisas, tinham-lhe degradado bastante a casa. E ele tinha então decido fazer obras, para depois eventualmente vender. Só que decidiram começar a partir paredes a torto e a direito para ganhar espaço e área, e o "biscateiro" que lá andou a fazer as obras, para abrir uma passagem entre a cozinha e a sala, decidiu romper uma viga (medo.... muito medo
). Claro que os vizinhos que devem ter sentido o prédio a "vibrar" com isto, acabaram por fazer queixa, resultando na visita dos fiscais camarários.Voltando à história de hoje, a visita que eu pensava fazer-se em 15 minutos, arrastou-se... Lá vimos e falámos o que tínhamos a ver e a falar. E eu só pensava na minha "menina" lá fora, à mercê de qualquer um, num bairro muito pouco recomendável. E os 40 minutos que por lá andámos, mesmo comigo a querer despachar a coisa, pareceram-me uma eternidade imensa. E nem pelas janelas dava para a ver, pois estava junto a uma fachada oposta.
Quando finalmente me vi novamente na rua, quase corri para o local aonde ela estava. Entretanto despedi-me do cliente, combinando o que se iria fazer a seguir, e ele meteu-se no carro e arrancou. E no tempo em que eu fiquei para meter a pasta numa das malas, enfiar o passa-montanhas, meter o capacete e calçar luvas, aparece-me, não percebi bem de onde, um "carocho", com bastante mau aspecto, que mete conversa comigo:
«- Ah.... isso é o quê?
- É uma 800!
- Yaaa.... pois, tá ali escrito.... e não tem "cramalheira".
- Sim, é de transmissão por correia!
- Yaaa.... isto hoje tá frio para andar nisso.
- Não faz mal.... quem corre por gosto não cansa!» (eu sempre a responder pela retranca)
E mortinho por arrancar dali, com ele ali bem ao lado, a tentar fazer conversa. E só pensava, espero que não apareçam mais dois ou três, que me apanhem com a chave na ignição.
Ainda lhe fiz sinal para ele se desviar, montei, marcha-atrás, rapidamente meti a mota a trabalhar, e mesmo a frio, arranquei dali o quanto antes, acelerador quase a fundo, até sair bem para fora daquele bairro. E só já bem longe, sentir que ela ainda estava comigo, foi um enorme alívio.
Nunca havia sentido mesmo tanto receio de ficar sem a minha querida "blu".
Ainda não sei se irei entretanto levar este trabalho adiante, mas uma coisa é certa.... voltar aquele bairro.... só de carro, mesmo.... pelo menos não chama tanto a atenção!


![[Imagem: RwtqB8G.gif]](https://i.imgur.com/RwtqB8G.gif)

haviam de ter apanhado um valente susto