(20-03-2026 às 15:45)cconst Escreveu: Existe aí um componente que me parece ter escapado: a informação.
Hoje em dia encontramos muita informação. E muita partilha de pessoal, de casos que acontecem a um individuo. Casos esses que agora se dispersam muito rapidamente devido à internet.
Um outro fator que devemos ter em conta é o volume. I.e. Quando há 20 anos um sucesso de vendas representava num determinado mercado e segmento (p.e.) 10000 unidades, hoje em dia 10000 unidades não é nada. E quanto mais se fabrica mais casos de falha de controle existem e consequentemente mais queixas. 0,1% de queixas há 10 anos eram 10 casos. hoje talvez sema 200 casos e todos com acesso à internet a fazerem reviews.
E juntando as duas... fica a parecer que é um problema crónico os quadros das MTs. Mas será que é mesmo assim?! Ou será porque hoje em dia com recurso ao crédito vende-se mais. Com a internet, difundem-se mais os problemas.
Quanto às motos "velhas".... falamos bem, claro! Porque falamos das que ainda cá andam passados 20, 30, 40 ou mais anos! E se chegam aqui, são de qualidade, claro!
MAS a minha percepção é de que os materiais empregues e o processo no tratamento dos mesmos parece de qualidade inferior. A causa não sei. Mas não deve ser da tecnologia... diria. Deve é ser da procura pelo equilibrio custo/qualidade, em que no passado parece que era tudo desenhado com uma tolerancia maior à falha (a tal história de diametros ou espessuras menores agora que no passado, apenas para dar um exemplo).
Claro meu amigo, é uma ideia ou ideias expressadas de forma geral, como referi, por exemplo, antigamente não havia internet, e nesta idade da informação tudo se sabe de forma rápida, e o mau viaja mais rápido do que o bom.
A intenção era explorar a ideia que hoje e antigamente passava e temos de qualidade, e como tudo na vida vai mudando com os tempos.
No caso das quadros das MT, por exemplo, hoje os processos de fabrico são diferentes, são mais leves e supostamente mais resistentes, e margens calculadas com muita eficiência... O rachar dos quadros, pelo que percebo mais vezes é resultado da aplicação errada dos chamados "cogumelos", por exemplo do que a construção da moto ou do quadro em si.
Hoje em dia existem listas que devem ser respeitadas, segundo as marcas, para até os apertos de parafusos na moto. Ora, pelo que entendo, existe também um limite adequado para aplicação desses cogumelos, da força de aperto, que quando aplicados incorretamente, criam uma força exagerada em pontos do quadro que não devia de existir, e que, segundo dizem faz o quadro rachar.
Mas serão todos resultado disso? No processo de fabricação os engenheiros, trabalham com que margens, ou que margens são aceites? E quando elas entram em confronto com os custos de produção? E aí, o que é aceitável para o consumidor, que percentagem é aceite de perdas?
KTM e as árvores de came feitas de queijo, isso foi o que? E o que fizeram eles aos consumidores, antes de finalmente assumirem a porcaria que fizeram?
Relativamente ao volume etc, sim, bastante maior hoje, mas também é verdade que antigamente se produziam mais modelos, não em volume, mas em tipo, ainda me recordo da lista de motos da Honda na antiga Motociclismo, eles tinham para aí, contando com as scooters, uns 50 modelos diferentes.
Sim o volume é muito maior, mas com o volume também crescem e se desenvolvem os processos de fabrico, mais eficientes, mais rápidos, que evoluem de maos dadas com o desenvolvimento tecnológico.
Ora mais volume, mais tecnologia e logo mais eficiência... O problemas deveriam ou deverão ser menores, mas com o aumento de volume, pode não ficar essa ideia... No entanto, recalls são cada vez maiores, cada vez mais problemas, sim com a internet sabe-se tudo, mas se no passado não havia internet, havia revistas da especialidade e as coisas acabavam por se saber...
Basicamente hoje é tudo feito com limites muito apertados, valores apertados, no entanto, os lá de cima ganham cada vez mais!
A qualidade já não é importante, ou melhor, o balanço entre perdas, clientes insatisfeitos, ma publicidade etc, com gastos e lucros e a satisfação dos investidores, esse balanço é que importa. Em tempos áureos, não era tanto assim, pelo menos ficamos com essa ideia, havia uma espécie de cuidado com a marca ou empresa.
Clientes se queixam a Tesla que não conseguem abrir os carros, pois os puxadores em ambientes mais frios não funcionam corretamente... O CEO ri-se e goza com esses clientes, na internet. Antigamente era impensável.
Lá está, os tempos mudam, e como tudo, as percepções também, se calhar, a minha percepção está completamente errada, e sempre foi assim?
Tudo anda a mudar, talvez demasiado rápido.


