27-03-2020 às 17:15
(27-03-2020 às 15:52)dmanteigas Escreveu: Percebo que seja chocante para muita gente o que acontece em Espanha ou Itália em que basicamente se tem que apostar em que tem maiores probabilidades de sucesso e deixar os outros à sua sorte, já de si bastante baixa.
No entanto, não é como se fosse uma realidade completamente diferente do que já se vive na sociedade atual, simplesmente não estamos é habituados a vê-la numa fase "aguda". Em Portugal e em praticamente toda a Europa, a "inovação" pelo preço elevado que tem não está disponível a toda a gente. Seja um qualquer tipo de cancro, seja Esclerose Multipla, Lupus ou uma qualquer doença cardiovascular, regra geral só um certo numero de medicamentos inovadores está disponível para um hospital/país e os médicos já desenvolvem as suas guidelines terapeuticas sabendo que não podem dar o melhor tratamento a todos os pacientes, o que na prática é uma decisão entre matar rapidamente pacientes com baixa probabilidade de sucesso terapeutico em detrimento de disponibilizar o melhor tratamento às que têm maior probabilidade de sobrevivência. É uma decisão com que a sociedade atual tem convivido razoavelmente bem até ao dia em que passamos de uma decisão cujo impacto se nota a 3 meses para uma decisão cujo impacto se nota em 24 horas.
Estas algo enganado...
Não se trata de decidir quem morre ou quem não porque as terapias existentes não funcionam.
Trata-se de decidir quem morre porque não tens meios para oferecer qualquer tipo de terapia, seja paleativa ou não.
E isso é muito duro.
Leva em conta que, no caso dos doentes oncológicos, mesmo que terminais, existe a morfina que lhes alivia a dor, mas no caso do covid, se o sistema colapsar, não vai haver um respirador que te alivie essa sensação asfixiante de querer respirar e não poder.
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