Como é do conhecimento geral, o Culto da Mota não é só andar nelas, mas também conhece-las a fundo, cuidar delas e uma aprendizagem constante que nos enriquece cada vez que montamos na mota.
Isto obriga a que aprendamos como é a nossa mota por dentro, estudando nos manuais as suas entranhas, conhecendo cada técnica e lidando com instrumentos/ferramentas que não são muito comuns.
No apartado das ferramentas, a coisa pode ser cara, pois as ferramentas específicas para a mota normalmente vão adornadas com preços proibitivos. Para evitar gastar dinheiro em ferramenta, em casos muito específicos e de fácil fabrico, acabo por fazer eu as minhas próprias ferramentas.
Este DIY relata como idealizei e construí um torno para as bainhas/barras da suspensão dianteira.
(25-04-2020 às 11:44)Nfilipe Escreveu: construíste o que? nao vejo nada!

Como a madeira é reutilizada convém lixar de forma a tirar o maior, uniformizando a superfície, tornando mais fácil a traçagem das linhas a carvão que pouco a pouco vão moldar a madeira. Depois de lixada, cortam-se 3 pedaços de barrote com uns 15cms de longitude. Dois serão as faces do torno, que apertam a bainha, e um terceiro que será fixado perpendicular a uma das faces do torno, para servir de braço que aperta ao torno convencional da bancada de trabalho.

Depois de cortada a madeira, começamos a trabalhar nas faces do torno, marcando nelas, a cama das bainhas e a furação necessária para os varões roscados que permitirá a mobilidade de uma das faces do torno.

Como tenho varias motas com distintos diámetros de Bainhas, a cama das faces do torno foi pensada a acomodar bainhas que vão dos 28mm até aos 50mm de diámetro. Não é obrigatório que dê para diâmetro diferentes, mas já que um gajo está com o trabalho, ao menos que dê para uma variedade ampla de secções.

Na face fixa do torno, nas costas desta face, com o for mão, vamos moldar o assolapamento da chapa metálica que serve de base aos varões roscados. Este assolapamento tem uns 50mm de largura e uns 3mm de depressão, para que a chapa fique completamente integrada na face fixa do torno.

Entretanto abrimos a furação por donde vão residir os varões roscados. Neste caso, o centro do furo está a 25mm da extremidade da face. Na face fixa tem um diâmetro de 10mm e na face móvel o diâmetro é de 14mm para permitir o acomodamento da bainha à cama quando se apertam os varões roscados.

E já que estamos com o berbequim na mão, aproveitamos e abrimos um furo na esquina da cama de cada face do torno, para em seguida tomar o formão como elemento moldeador e fazer em ambas faces a cama de alojamento das bainhas.

Depois de, em rasgos gerais moldar a cama nas faces do torno, voltamos a montar o rolo de lixa no berbequim para dar-lhe a forma final.

Agora só falta acabar, mas isso fica para depois...

E esta é a visão geral do torno, com ambas faces e a cama que a junção das faces forma, onde a bainha se vai alojar quando estivermos a trabalhar nela.
O próximo passo vai ser passar a fase ferrosa da questão.
(25-04-2020 às 16:43)pareias Escreveu: Por favor não te despeças ainda do teu emprego.

savage areias



Como o material é todo reutilizado, cortei dois pedaços de barra 25x2,5mm para os unir. O objectivo é que exista uma base suficientemente larga para servir de suporte tanto a face fixa do torno, como rabo do torno, suportando assim o peso da bainha sem que o torno corra o risco de se partir (o pinho de Flandres é fixe porque se molda bem, mas pode partir-se com alguma facilidade quando submetido a esforços).

Com as soldas feitas, teremos que desbastar o excedente para alojar e soldar os barões roscados. Não nos podemos esquecer que, se vamos trabalhar com bainhas de várias secções /diâmetros, o comprimento dos barões deve permitir o distanciamento necessário das faces do torno para apertar as bainhas.

Soldar e devastar o excedente.

Depois de acabadas as tarefas de soldadura, tratamos de "moldar"o ferro as nossas necessidades.

O primeiro passo é a furação. Ao centro dois furos para que o corpo metálico possa ser apertado ao rabo do torno. Nas esquinas uns furos de menor diámetro que afixam o corpo metálico ao assolapamento da face fixa do torno.

Agora tratamos da rosca, com este desandador que vai lavrando a rosca no varão metálico. Uma vez mais, convém recordar que se o torno for para usar com diâmetros de Bainhas diferentes a área roscada deve ser acordo com as diferentes dimensões das bainhas.

Para terminar, cortamos um terceiro pedaço de barra metálica, para depois abrir nela os furos. Esta peça será o reforço/batente que permite aplicar a força de aperto das porcas de orelhas sem que estas deformem a madeira da face móvel do torno.
(26-04-2020 às 15:33)marco.clara Escreveu: Provavelmente se fosse gajo que percebesse alguma coisa de mecânica e me predispusesse a fazer este tipo de manutenção, não me daria ao trabalho de fabricar artesanalmente este tipo de ferramenta e desenrascar-me-ia (ou não) de forma mais tosca.
Posto isto, percebo a utilidade, e não critico. Agora é dar-lhes uso para justificar o trabalho que deram a fazer!![]()
Pelo menos não são proteções de punho feitas em cartolina...
Em relação os críticos, fico ansiosamente a aguardar os vossos tutoriais DIY. É sempre bom ver aqui o tasco enriquecido com conteúdos de qualidade (só para variar de engordar os tópicos sobre roupa suja, clementinas e vendedores da suzuki). Estou ansioso por aprender com quem realmente sabe.