DiY Sistema de Transmissão por Corrente (limpeza) -
LoneRider - 28-08-2016
Quando se deve fazer uma limpeza ao sistema secundario de transmissão por corrente?
Boa pergunta!
Nem eu sei responder.
Por isso, criei o meu proprio criterio e então decidi que fosse sempre que mudasse a roda traseira .
Porquê?
Porque a roda traseira, no meu caso, dificilmente vai alem dos 10000km’s, o que significa umas 20 lubrificações se levarmos em conta que lubrificamos a corrente cada 500km (+/-).
Depois, porque a borracha e os diluentes ou detergentes de limpeza não se falam e para não estar a criar problemas de aderencia num pneu que me pode mandar ao chão, jogo pelo seguro e afasto-o de todas essas materias. Para acabar, porque para mudar o pneu tenho que sacar a roda do seu lugar, facilitando muito a acessibilidade mecanica para a operação de limpeza.
Nesta ocasião a “cobaia” vai ser a Artax que já andava meia coxa e sem poder subir ao monte derivado ao pneu de origem que se lambeu todo no Caminho!
Esta é a menina com a trouxa toda em cima, para que nada lhe falte la no consultorio.
RE: DiY Sistema de Transmissão por Corrente (limpeza) -
Nfilipe - 28-08-2016
Isso com um pco de jeito ate leva mais um pneu em cima dela
RE: DiY Sistema de Transmissão por Corrente (limpeza) -
marco.clara - 28-08-2016
Aquele bocado de tinta que falta no tecto deve ter sido da última vez que foste às compras...
PS: nunca tinha visto tupperwares (literalmente falando) numa mota!
RE: DiY Sistema de Transmissão por Corrente (limpeza) -
LoneRider - 28-08-2016
(28-08-2016 às 18:53)marco.clara Escreveu: Aquele bocado de tinta que falta no tecto deve ter sido da última vez que foste às compras...
PS: nunca tinha visto tupperwares (literalmente falando) numa mota! 
A minha caixa de ferramentas é feita de tupperweres pá!
RE: DiY Sistema de Transmissão por Corrente (limpeza) -
nelsonajm - 28-08-2016
tens a mota toda torta pá... e esses pilares forrados explicam muita coisa...
RE: DiY Sistema de Transmissão por Corrente (limpeza) -
LoneRider - 30-08-2016
De onde me encontro ao consultório existem 35km de autovia que são uma autentica pasmaceira. Confesso que me vi tentado a ir pelo caminho, que tem uns saltos altamente, mas não achei muito prudente andar a dar saltos com as caixas de ferramentas a dois pneus em cima da mota.
Chegado ao consultório, o melhor seria desmontar as coisas e levar a Artax para uma ducha.
Lavar uma moto antes de uma operação de manutenção é sempre uma mais valia, pois ajuda a que não existam corpos estranhos a interferir.
Neste caso até é melhor, pois a agua ajuda a tirar boa parte da nhãnhã agarrada a corrente e demais elementos da transmissão.
E aqui a temos, preparada para a vida dura de ser uma moto do monte a ponto de lhe baixarem as cuecas!!
Na ausência de um descanso central, que é uma ajuda preciosa nestes casos, recorri a um elevador que tenho, que serve para todas as motos, principalmente paras as de todo terreno.
O sistema de transmissão secundaria são compostos por três elementos. Pinhão de ataque, cremalheira e corrente. No entanto existem as guias, que não sendo elementos da transmissão, são elementos de desgaste que permitem o seu correcto funcionamento.
Nas motos de todo terreno estas são muito importantes porque permitem que a corrente não salte fora do seu leito com as variações bruscas de tensão da mesma, derivado do curso longo e funcionamento da suspensão traseira.
Aqui temos a guia de cremalheira, pronta para a banhoca.
Isto é uma tina com gasóleo, onde deixei de molho as varias peças que fui desmontando para limpar. O gasóleo não é o melhor, visto que não é um desengordurante a 100%, mas é um excelente dissolvente e, no caso da corrente de transmissão, não é muito agressivo para os o-rings.
Aqui já falta o protector de pinhão...
Já esta de molho!
O próximo passo a seguir é o de desmontar a roda.
Para facilitar a coisa, ganhar espaço de manobra e não andar a bulha com Artax, convém afastar as pastilhas do travão traseiro. Para tal, podemos utilizar uma chave de fendas grande que, com carinho e delicadeza, serve de alavanca para convidar os pistões a retroceder e deixar mais espaço livre entre as pastilhas e o disco.
Depois podemos aliviar a porcas do eixo da roda traseira, para de seguida aliviar os esticadores da corrente.
O objectivo é deixar a corrente laça para se retirar da cremalheira, para alem de se criar a folga necessária para retirar o eixo da roda e permitir que a roda deixe de fazer parte do corpo da mota.
Uma vez a roda solta e a porca totalmente desenroscada, esta tudo pronto para retirar a roda do seu sitio.
Mas, ao que parece, Artax teve alguma relutância em deixar sair o eixo e libertar, embora que momentaneamente, a sua roda traseira.
Tivemos que acudir aos serviços do meu amigo Martelo!
Ora aqui esta, a roda já por sua conta!
A quando da minha juventude, vi o meu pai a desmontar muitas coisas. Quando não era a moto-serra ,era o motor de rega, passando por embraigens e caixas de carros, motores a 2T, até mesmo os complicadissímos sistemas de transmissão que nos ocupam hoje!
Quando não sabia bem o que ia sair dali utilizava o método da tábua.
Agarrava numa tábua, limpava-a e dispunha as peças pela sua ordem de desmontagem, mantendo a posição em que saíram e com o objectivo de não perder de vista a sua posição de origem e posição de montagem. Apesar de não haver aqui uma tábua, este trapo velho cumpre a mesma função e como era primeira vez que desmontava o Eixo da roda da Artax era importante saber a posição dos casquilhos "espaçadores" e das escalas de ambos esticadores de corrente.
Foi tudo lavado, limpo e seco,para posterior montagem.
Lavar a corrente é uma tarefa muito semelhante a da luta na lama, so que desta vez sem gajas nuas e com um cheiro nauseabundo a gasóleo!
A técnica consiste em, sem desmontar a corrente do pinhão de ataque, deixar a parte inferior de molho e lavar a parte superior. Quando já chega, puxa-se pela parte indefiro para que entre uma no parte no molho e a parte que saiu de molho leva a esfrega desta trincha que se vê. E assim até que a corrente brilhe.
Ao mesmo tempo as sobras de gasóleo vão empapando a nhãnhã que esta no pinhão de ataque!
Que depois lavamos com gasoleo e a fricção da trincha justiceira!
No caso da Artax, que não existem silent blocks depois da cremalheira para amortecer as investidas da caixa, lavar a cremalheira com gasóleo é uma tarefa que requer alguma atenção.
O gasóleo pode reduzir o índice de atrito das pastilhas no disco de travão, pelo que, para evitar que este elemento fique “vidrado”, convém ter cuidado ao lavar a cremalheira e depois de tudo seco, preventivamente, passar uma lixa fininha no disco para eliminar eventuais capas de gordura.
Olha ai! Ficou lindo não foi!
Agora mudar o pneu.
Não é muito dificil!
Rebarbadora dali, maçarico por acolá...
...uma câmara de ar reforçada há mistura....
Et voilá!
Roda montada!
Agora é momento de voltar a por tudo no sitio!
E agora!?
RE: DiY Sistema de Transmissão por Corrente (limpeza) -
LoneRider - 30-08-2016
Para por a roda no sitio precisamos do eixo, que tem que montar a escala dos esticadores e os "espaçadores" nos seus sítios. Tudo isto sem esquecer de voltar a por a pinça de travão traseiro no seu sitio para que seja mordaz o suficiente! Por isso é tão importante fazer uma boa observação no momento da desmontagem e guardar a posição correcta das peças.
Aqui já estava tudo no sitio, com a porca abicada, pronto para o próximo passo!
O próximo passo era por a culpada disto tudo no sitio!
Mas prontos, ate esta asseadinha e tudo, damos-lhe um desconto!
Já com a corrente no seu leito, é tempo de montar as guias.
Depois já podemos esticar a corrente, deixando a folga indicada pelo construtor, procurando manter a roda alinhada antes de apertar a porca do eixo com uma muito amiga minha, chamada Dina (Dinamometrica).
Na frente monta-se a protecção do pinhão e já esta pronta para a banhoca!
Outra vez!?
Se o banho inicial ajudou par retirar parte da nhãnhã da corrente, este ajuda a retirar os excessos de gasóleo que estão no sistema e que podem diluir o lubrificante de corrente impedindo-o de fazer bem o seu trabalho!
E aqui está o trabalho de limpeza concluído!
Olha aí hã!
Parece novo!
Vamos lá então lubrificar a corrente como deve de ser!
Este é o lubrificante que eu utilizo, que tem uma base de teflon, um excelente anti-fricção que ajuda a proteger os o-rings das correntes deste tipo.
No entanto a cadencia de lubrificação deve ser respeitada, sendo que se deve lubrificar a cada 500km em quente, depois do banho ou inclusive, encurtar este intervalo se os ambientes são muito poeirentos ou enlameados!
Aí esta o resultado final!
Pronta para o monte e para curtir bons momentos!
RE: DiY Sistema de Transmissão por Corrente (limpeza) -
nunomsp - 30-08-2016
Excelente tutorial e muito bem documentado com fotografias.
Obrigado pela paciência e pela partilha!
Já vale um fino.
RE: DiY Sistema de Transmissão por Corrente (limpeza) -
michelfpinto - 30-08-2016
Tanto trabalho para pintares a corrente de branco?
RE: DiY Sistema de Transmissão por Corrente (limpeza) -
LoneRider - 30-08-2016
(30-08-2016 às 10:55)michelfpinto Escreveu: Tanto trabalho para pintares a corrente de branco?

É enche-la de pó logo a seguir!