Motonliners

Versão completa: A verdade por detrás dos números de vítimas onde intervém motas e ciclomotores
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As campanhas de sencibilização são só uma ferramenta.
A verdadeira prevenção faz-se na actitude que tem os agentes da autoridade perante os condutores e utilizadores das vias rodoviárias.
A presença em locais perigosos, a ajuda para a Fluidez do trânsito, o apoio ao condutor perante uma averia ou situação inesperada é um critério não recaudatorio na aplicação de coimas e penas acessórias ajudaria a que as posturas se suavisassem e muitos condutores tivessem uma postura menos agressiva.
Quando ha operações da BT eles tem metido onde vao estar. Já nao é mau de todo.


Aos meus amigos automobilistas:

Em primeiro lugar: é tão ofensivo para um motociclista que lhe digam que é um maluco que anda sempre a fazer cavalinhos ou a 200 a fazer razias aos carros como se vos dissessem que todos os automobilistas andam na estrada a mandar sms ou que andam a 300 a fazer corridas na ponte vasco da gama. Generalizações não são correctas em caso nenhum e tanto há bons e respeitadores automobilistas como motociclistas e o mesmo é verdade para os maus.

Em segundo lugar, não deixemos que a simples estratégia do dividir para reinar nos vire uns contra outros porque isso é precisamente o que querem os interesses por detrás da manipulação dos números da morte na estradas. Desda já vos digo que desde 2010 a esta data, os números de mortes na estrada em acidentes de motociclo tem sempre vindo a baixar e muito. 2017 foi um ano com 290 dias sem chuva em Lisboa, 292 no Porto, 303 em Faro e não se via um ano assim desde 2005 e isso, como certamente sabem, faz com que mais motos circulem nas estradas. Ao mesmo tempo, o clima de ligeira retoma económica faz a malta fazer mais quilómetros de moto, principalmente aos fins-de-semana.

Em terceiro lugar, todos os automobilistas são sujeitos a um curso (se é que assim lhe podemos chamar) de formação sobre código e condução. A utilidade e adequação dessa formação deixa muito a desejar e se continuamos a insistir na ideia de que os acidentes são culpa da formação, então as escolas de condução são as culpadas de milhares de mortos. Se não aceitamos essa ideia, o que me parece correcto, então também não devemos achar que acabar com a lei das 125 vai resolver seja o que for. Se a formação não é responsável pelas centenas de mortes dos que têm carta de automóvel, então como pode ser culpada no caso das 125? Vocês, automobilistas, tiram a carta num corsa de 60 cavalos e no dia a seguir ao exame de condução podem conduzir um audi com 150 cavalos ou um ferrari com 300 e o que vos preocupa é poderem conduzir uma 125 com 15 cavalos? Ainda por cima, amigos, não é nas 125 que há mais acidentes mortais no mundo das motos. Longe disso.

Para terminar, sobre as inspecções periódicas obrigatórias: temos em Portugal um sistema irracional de verificação das características das viaturas. Uma rede de empresas privadas (num universo em que não há concorrência) cobra uma taxa por prestar um serviço que só é procurado porque a lei obriga. Ao mesmo tempo que se faz uma rede de empresas para fazer essas verificações, desresponsabiliza-se a PSP e a GNR pela fiscalização. Isto cria situações ridículas como as que todos conhecemos: "um carro todo alterado passa - há sempre formas - na inspecção e depois a PSP manda encostar, vê o papel da inspecção e manda seguir porque está legal." A questão é que o carro quando foi à inspecção não estava assim ou então, nem lá foi e arranjou maneira de parecer que foi. Também é importante que se diga que o sistema de inspecções é injusto para carros, tanto como para motos, é desadequado e provoca danos e desgaste nas viaturas. O papel da inspecção é uma burocracia no termo mais verdadeiro da palavra, na medida em que não acrescenta nada à viatura, apenas retira autoridade às forças policiais para fiscalizar viaturas na estrada.

O verdadeiro negócio por detrás das inspecções nem sequer é o dos centros de inspecção, mas o dos seguros. Todos sabemos que as seguradoras não pagam indemnizações a viaturas sem inspecção em dia, independentemente de quem tenha a culpa num determinado acidente. Ora, portanto, mais do que um mecanismos de segurança ou de combate à sinistralidade, as inspecções são um mecanismo de triagem no acesso à indemnização de seguro.

Portanto, a ideia de inspecção periódica obrigatória não é inaceitável, mas teria de ser realizada em contornos muito mais claros, mais seguros e vista como serviço público e não prestação de serviço privado. Os automobilistas estão sujeitos à discricionaridade de técnicos de inspecção, a perder horas de vida, de lazer ou trabalho, dezenas de euros anuais, para receber um papel que não serve absolutamente para nada porque quem o assina não assume qualquer responsabilidade em caso de haver falha do veículo. E apesar de serem muito, mas mesmo muito raros os acidentes provocados por falha mecânica, continuamos todos a ir a uma inspecção privada para satisfazer as seguradoras e os empresários dos centros de inspecções e fingir que combatemos a sinistralidade, enquanto continuamos com pouquíssima fiscalização nas estradas, estradas esburacadas, sem pinturas, má sinalização e cheias de armadilhas. Enquanto tudo isto for assim, as inspecções não passam de uma forma de o Estado fingir que faz alguma coisa contra a sinistralidade quando na verdade, apenas alimenta um negócio.

Inspecções inseridas num plano nacional de combate à sinistralidade em motociclos, públicas, transparentes, úteis e gratuitas (ou próximas disso), talvez possam ser eficazes.

O mesmo é válido para os automóveis.

Amigos automobilistas, podem ter uma de duas posições: "a inspecção é uma chatice mas se eu vou, vão todos" ou "a inspecção é uma chatice e não vamos alargá-la a ouros enquanto não forem corrigidas as suas falhas".

Mas se acham que as inspecções não são aquilo de que precisam, estão à espera de quê? De que os motociclistas façam manifestações por vocês?

Os motociclistas não morrem por serem mais ou menos "malucos na estrada" do que vocês. Morrem porque a moto tem características que facilitam o acidente mortal, independentemente da inspecção e porque as estradas não estão feitas para eles, nem vocês se lembram que eles existem quando atiram beatas, mudam de faixa sem pisca, andam aos "ésses", ocupam a faixa do meio da autoestrada, mandam sms ou falam ao telefone, fecham a passagem ou não encostam à direita. Mudemos todos os maus comportamentos na estrada e salvaremos mais vidas do que todos os centros de inspecção deste país juntos.


Autoria: Miguel Tiago
Sublinhados meus
(21-02-2018 às 11:20)dmanteigas Escreveu: [ -> ]Alguém que diga que a policia não faz caça à multa, ou nunca conduziu, ou é um ingénuo de todo o tamanho. O que eu tenho mais por experiência pessoal é casos de pura e dura caça à multa. Principalmente multas de velocidade. E atitude preventiva não existe. Quando é que foram as últimas campanhas de sensibilização para uso de tlm enquanto se conduz ou excesso de alcool?

A caça à multa não existe, existe a caça ao infractor. São nomes diferentes, mas que visam a mesma coisa.

Caça à multa porquê? Porque raio se chama isso? O agente é que está mal ao cumprir ordens estando escondido atrás da moita com o radar, ou é o infractor que sabendo ao que incorre, faz de livre e espontânea vontade?

Campanhas de sensibilização? OP STOP tens várias, mas depois há os iluminados que as partilham em apps tipo Waze.

Depois tens muita gente que é caçada ao telemóvel, conheço muitos casos e que ficaram inibidos de conduzir, inclusive.
Uma coisa é argumentares que as pessoas tem noção dos limites de velocidade (no caso dos radares) e infringem porque querem e ai dou-te razão. Agora dizer que não existe intenção de arrecadar dinheiro com isso, o vulgar "caça à multa", é quereres deitar areia para os olhos das pessoas David.

Qual é por exemplo o grande perigo existente no Eixo Norte-Sul uns 300 mts antes da saída para o alto do Lumiar, local onde é super comum estar um radar? Está lá porque sabem que a probabilidade de apanharem alguém numa recta, numa estrada que tem todas as condições para ser uma autoestrada (não é mas diria que em termos de condições bem o poderia ser), a mais de 90 km/h? Vão para lá pois sabem que vão facturar, não por ser um ponto critico de acidentes.

Se o fizessem em pontos críticos onde ocorrem muitos acidentes por excesso de velocidade, isso seria dissuasor, e possivelmente levar a que as pessoas tivessem outros cuidados. Mas a maioria não é, por isso é só para ganhar dinheiro. Agora os agentes seguem ordens e fazem o que lhes mandam, não tem culpa disso.
(21-02-2018 às 20:18)michelfpinto Escreveu: [ -> ]Uma coisa é argumentares que as pessoas tem noção dos limites de velocidade (no caso dos radares) e infringem porque querem e ai dou-te razão. Agora dizer que não existe intenção de arrecadar dinheiro com isso, o vulgar "caça à multa", é quereres deitar areia para os olhos das pessoas David.

Qual é por exemplo o grande perigo existente no Eixo Norte-Sul uns 300 mts antes da saída para o alto do Lumiar, local onde é super comum estar um radar? Está lá porque sabem que a probabilidade de apanharem alguém numa recta, numa estrada que tem todas as condições para ser uma autoestrada (não é mas diria que em termos de condições bem o poderia ser), a mais de 90 km/h? Vão para lá pois sabem que vão facturar, não por ser um ponto critico de acidentes.

Se o fizessem em pontos críticos onde ocorrem muitos acidentes por excesso de velocidade, isso seria dissuasor, e possivelmente levar a que as pessoas tivessem outros cuidados. Mas a maioria não é, por isso é só para ganhar dinheiro. Agora os agentes seguem ordens e fazem o que lhes mandam, não tem culpa disso.


Só sobre a tua ultima frase.
As ordens que eles recebem não implica que, para as cumprirem, possam cometer infracções, como estacionar mal o carro, simular situações de trânsito como uma grúa a carregar um carro ou esconder literalmente o cinemometro.

Teria uma acção muito mais disuasoria deixar um placa a dizer "estamos a controlar a sua velocidade" que esconder o radar numa moita.

É em base a estas acções que o termo "caça à multa" ganha força. Pior que isso, provoca o descrédito das forças que tem competência na matéria.
Cada vez que leio o Officer negar a caça à multa lembro-me disto...

https://youtu.be/qBAjzGSlh6c
Alias nao havia ate um valor para o qual eles deviam bulir? Isto é, media de multas!?  lol
Piada so visto de fora claro, quando um gajo levo com elas, nao tem piada nenhum. Eu ja fiquei 300 euros mais pobre a pala disso!
Não sei se a dinâmica da coisa é ao critério dos que fazem a fiscalização ou não, mas diria que coisas mais elaboradas seja algo superior. Quanto a estacionamentos indevidos e afins ai sim, diria que são eles e deveria ser penalizados.
Em alguns km de estrada, sobretudo AE’s desenvolvi a ideia que dava-me mais jeito que se cagasse na história das velocidades e se começasse a fiscalizar a sério os indivíduos na faixa do meio/esquerda fora de âmbito de ultrapassagens!

Esses sim, provocam o desequilíbrio no andamento, provocam situações mais delicadas e causam mais stress.

Eu indo a cumprir nesse sentido... podem-me ultrapassar a 200, 250 ou 300 que tá tudo de boa!

Portanto, Srs Agentes, se me estão a ler e puderem corresponder com a cortesia de atender a este meu obséquio, ficar-vos ia francamente agradecido.
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