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Versão completa: Andar de Mota - A Minha História (Como é a Tua?)
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Andar de mota…

Quando fiz os meus 16 anos, consegui ter a minha primeira mota: uma Yamaha DT50LC ('88). Foi o chamado "grito do Ipiranga", já que o facto de ter essa motorizada me permitiu uma maior liberdade para ir onde queria, quando queria, fazer o que queria. E aos 16 anos isto é mais do que suficiente para fazer alguém feliz. Menos feliz foi quando me vi "involuntariamente subtraído" dela, mas graças a uma ajuda preciosa, acabei por conseguir voltar a ter outra DT, recuperando assim a liberdade que na altura e aos olhos de um adolescente, parecia perdida para sempre.

[Imagem: 6e8f614a2d871f4c9a416f5c7a615834.jpg]

Comecei a deslocar-me diariamente de mota para onde quer que fosse, a assim foi durante os anos que se seguiram, até que mais tarde resolvi trocar a mota por um carro. Nesta altura o carro abriu ainda mais os meus horizontes, mas ao mesmo tempo (e como tive de me desfazer da mota para o comprar), deixei de ter o acesso a tudo aquilo que a mota me proporcionava. Entre acabar os estudos e começar a trabalhar, voltar a ter mota foi um objetivo que se foi esbatendo e ficando no esquecimento, até porque ao tirar a carta de carro (e uma vez mais para poupar uns trocos) cometi o erro de não tirar também a de mota.

Alguns anos passaram e a vontade de voltar a andar em duas rodas começou a ganhar força na minha mente. O trânsito constante, as horas intermináveis passadas estupidamente sentado, parado dentro do carro e aquela vontade de voltar a ter a sensação de liberdade que só a mota transmite, foram os elementos chave para passar da ideia à prática. Assim (e como não tinha carta de mota), comprei uma Honda CBF 125 ('08).

[Imagem: 01honda-cbf125.jpg]

Por mais ridículo que possa parecer, quando me sentei a primeira vez nela, parecia enorme. Depois de vários anos sem andar de mota, pegar numa e meter-me de imediato no IC19 em hora de ponta, foi uma experiência assustadora. Mas tal como andar de bicicleta, andar de mota também não se esquece, e cheguei a casa são e salvo! Claro está que fazer diariamente mais de 50 kms em trajetos que incluíam vias rápidas, fez rapidamente reduzir a dimensão que psicologicamente atribuía ao veículo em questão, ao ponto de sentir que andava de bicicleta. Passado pouco mais de um ano, era já altura de mudar! A carta foi finalmente obtida num curto espaço de tempo (no qual tive o prazer de experimentar uma Honda CB500 e uma Kawasaki ER5), e no dia seguinte comprei uma Honda Hornet 600 ('98) que me fez novamente sentir como se tivesse 16 anos!

[Imagem: mhorn1998sra-01.jpg]

Foi minha companheira do dia-a-dia no trajeto casa/trabalho, foi minha fiel amiga em muitos passeios e viagens que fiz e (quase) nunca me deixou pendurado (exceção feita àquele dia em que o retificador de corrente decidiu entregar a alma ao criador). Ainda assim tratou-me melhor a mim do que eu a ela, sobretudo no dia em que irresponsavelmente a destruí contra um separador de betão, safando-me por pouco. Curada a queimadura nas costas e o orgulho ferido, rapidamente segui em frente e achei que mais era melhor: comprei uma ZZR 1100 ('97).

[Imagem: Kawasaki%20ZZR1100%2097%20%201.jpg]

Quando fui buscar a ZZR e a trouxe para casa, apanhei logo um susto quando olhei para o velocímetro enquanto passava nos túneis da CREL e me apercebi da velocidade a que circulava... Claramente jogava numa "liga" diferente da Hornet, e a proteção aerodinâmica que a ZZR fornecia era uma faca de dois gumes: a par da segurança que transmitia, aumentava o risco de fazer asneira da grossa caso não tivesse juízo. Tive juízo. Apesar de mais tarde ter sofrido um acidente com ela (fui abalroado por um carro que me apanhou no ângulo morto), ainda que pudesse ter feito algo para o evitar não foi responsabilidade minha, e o facto de circular de forma responsável permitiu que o resultado final fossem apenas uns "tupperwares" riscados. Foi mais uma bela companheira, de aspeto imponente e fiabilidade inabalável, quer na utilização diária como em viagens maiores, que me deixou saudades.

Mais recentemente, e quando fazia a revisão dos 80 mil kms da ZZR, uma europeia piscou-me o olho. Sentei-me nela, experimentei-a e foi amor à primeira vista. Era novamente altura de mudar. Uma BMW F800R ('10) cujo único defeito era ter uma ponteira de escape que produzia o som de uma máquina de costura. Problema resolvido logo na compra, saindo do stand já com um belo SC-Project que lhe dava uma voz muito mais sensual. A agilidade da F800R quando comparada com a ZZR foi uma lufada de ar fresco, sobretudo na utilização diária. E o estilo despido (desde os tempos da Hornet) sempre combinou bem comigo.

[Imagem: 001610.jpg]

Infelizmente muito cedo me vi privado dela por bastante tempo, já que tive novo acidente (um carro que não parou num cruzamento e fugiu do local) que a colocou no "estaleiro" durante uns meses, enquanto a situação se resolvia. Desta feita e como somatório de todos os acidentes que já tinha sofrido, a confiança foi abalada. Comecei a considerar seriamente deixar de andar de mota. Comecei a pensar na mulher, nos filhos, no que poderia acontecer, como seria o próximo acidente… Refleti um pouco e decidir fazer algo em relação ao que sentia: um curso de condução defensiva. Coloquei as coisas em perspetiva e recuperei a minha confiança (e a mota). Posso dizer que sou um condutor mais "defensivo" (ou "medricas" se preferirem), mas não me importo com isso. Ainda cá ando e continuo a sentir-me feliz sempre que pego na mota e faço diariamente aqueles quilómetros, mesmo quando ocasionalmente levo com a chuva que não me demove ainda assim de fazer uma das coisas que mais gosto: andar de mota!

Esta é uma história que não está acabada. É uma história que escrevo todos os dias, onde constantemente registo episódios sobre os mais variados temas, como liberdade, responsabilidade, amizade, confiança, respeito, aprendizagem e muito mais. Sem falsas demagogias, moralismos ou sentimentalismos, quer se viva intensamente o "espírito motard" ou apenas se goste do mundo das duas rodas porque sim, posso dizer que andar de mota faz de mim uma pessoa melhor. E se alguém considerar que isso é discutível, no mínimo faz de mim uma pessoa feliz!
Que bela ideia.  clap

A minha história é muito curta, mas certamente darei o meu contributo.
Muito bom tópico, Marco blink. Por acaso existia um tópico com esta temática no extinto Motonline, que como tudo o resto se perdeu.

Em boa hora é reaparecido.... Será interessante para saber como cada um veio para ao mundo das duas rodas motorizadas! thumbsup

Mais logo, com tempinho, lá vem "testamento" ilustrado. bigsmile (get ready lazy readers devil)
Bom texto Marco !  clap 
Para além das 'confissões pessoais' que nos ajudam a conhecer melhor as pessoas que estão por detrás do ecrã , também fica o registo de experiências e 'advertências' relativamente a certos modelos/segmentos de motas . 
Pode ser que um dia tenha pachorra para também aqui fazer o meu testemunho e a referência às 6 'montadas' que já tive , embora me considere 'um tenrinho' na matéria !
Marco!

Temos que decorar com imagens fofinhas!?
(18-04-2017 às 17:21)hjjs Escreveu: [ -> ]A minha história é muito curta, mas certamente darei o meu contributo.

(18-04-2017 às 17:38)carlos-kb Escreveu: [ -> ]Mais logo, com tempinho, lá vem "testamento" ilustrado. bigsmile   (get ready lazy readers devil)

(18-04-2017 às 19:21)LWillow Escreveu: [ -> ]Pode ser que um dia tenha pachorra para também aqui fazer o meu testemunho e a referência às 6 'montadas' que já tive , embora me considere 'um tenrinho' na matéria !

Venham de lá essas histórias!!!

(18-04-2017 às 19:37)LoneRider Escreveu: [ -> ]Temos que decorar com imagens fofinhas!?

A meu ver a fofura que cada um adota é lá consigo...  lol
ar50
honda cbr600f4i
jincheng jc90 prima da honda monkey
honda cbr125
honda vfr800
honda deauville 650
honda vfr400
bmw f800s
kawasaki ninja 250
skyteam dax 125, prima da honda monkey
suzuki sv650
agora honda hornet 250, mais rara delas todas
(18-04-2017 às 23:03)7pires Escreveu: [ -> ]ar50
honda cbr600f4i
jincheng jc90 prima da honda monkey
honda cbr125
honda vfr800
honda deauville 650
honda vfr400
bmw f800s
kawasaki ninja 250
skyteam dax 125, prima da honda monkey
suzuki sv650
agora honda hornet 250, mais rara delas todas

Porra, Pires! Que salganhada que aí vai! c'um catano!
[Imagem: evolution_zpsdxjjjo9c.png]
[Imagem: WoHZpio.jpg]
Eu perdi a minha virgindade motociclistica numa igualzinha a esta...aos 15 anos, e deixei-a cair logo ao tira-la da garagem...pensei logo...pronto, já lixei esta merda e o meu pai vai-me matar...levanto a mota e felizmente, nada...montei-me nela e fui descobrindo como a coisa funcionava...o kick era teimoso...ela não trabalhava ha alguns anos valentes...mas lá pegou...lembro-me de a deixar abaixo umas 7ou 8 x até finalmente apanhar o ponto e lá dei umas voltas na urbanização...rua acima, rua abaixo, mete mudanças, tira mudanças, acelera, trava...ainda andei uns dias assim até secar o depósito...sempre quando os meus pais estavam fora...e depois nunca mais andei...entretanto, aos 18 tirei a carta de carro e o meu pai queria que eu tirasse a de mota tb, na altura não quis, não senti o apelo...em 2006, um colega de trabalho chega na sua bandit 600 azul e eu fiquei babado pela mota, achei-a linda...azul, resplandecente e o escape modificado a fazer um som lindo...fiquei apaixonado...mas na altura tinha acabado de comprar um carro novo e o dinheiro foi para pagar prestações durante uns penosos 4 anos...nos entretantos tirei a carta de pesados e um dia ao ver a cb500 a porta da escola, perguntei o preço da carta de mota...acabei a carta de pesados e fiquei a pensar naquilo...nessa altura o dono da escola fez-me a proposta de eu fazer o curso de instrutor e ficava a trabalhar com ele...e a carta de mota surgiu como necessidade de evolução futura na carreira e avancei...

Tirei a carta na famosa cb500 e mais tarde acabei o curso e comecei a trabalhar como instrutor e a promessa de trabalho durou pouco, a escola começou a passar dificuldades e eu sendo o mais novo na casa, fui o primeiro a sair, uns meses depois saiu outro colega meu...e andei uns tempos ao sabor do vento até me fartar e fazer negócio de compra de uma escola...tinham uma velha gs450 que já estava mais morta que viva e decidi comprar a abelha maia.
[Imagem: mOYwEUj.jpg]

Ao mesmo tempo encontrei uma cb500 abandonada e esquecida num canto de uma garagem, comprei-a e andei com ela durante uns 3 anos.

[Imagem: k1DOuUk.jpg]

Entretanto, numa revisão de uma das motas da escola, encontrei a minha Marafada e foi amor a primeira vista, tinha visto a mota numa sexta e entrei de férias nesse dia, o negócio foi sendo acertado com o meu mecânico e dono do stand onde ela estava via facebook e por telefone, quando voltei das férias, tratei da papelada e uns dias depois de feita a revisão veio para casa.

[Imagem: 7wSxQC4.jpg]
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